Tarifaço: Trump lança nova taxa contra o Brasil por suposto trabalho forçado

O governo dos Estados Unidos anunciou uma sobretaxa de 12,5% para bens importados do Brasil e outros 53 países parceiros econômicos. A medida foi justificada pela Casa Branca como resposta às supostas falhas brasileiras no combate à entrada em suas cadeias produtivas de mercadorias feitas com trabalho análogo ao escravo.
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A determinação veio através do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) após concluir ampla investigações sob o amparo da Seção 301 da Lei de Comércio americana (Lei de Comércio de 1974). O novo imposto substitui a taxa temporária anterior, que era de 10%, e afeta um grupo amplo na economia global.
Nova alíquota gera impacto tarifário elevado
Segundo os detalhes divulgados pelo USTR, esta nova cobrança não é aplicada uniformemente. Enquanto Brasil está sujeito à tarifa padrão de 12,5% junto aos outros países pesquisados por Washington, cinco parceiros individuais — Canadá, México, Indonésia, Equador e Paquistão —, além do bloco da União Europeia (com seus 27 membros), receberam uma taxa reduzida de apenas 10%, devido a acordos recíprocos já estabelecidos.
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O aumento representa um golpe significativo para o comércio brasileiro porque essa sobretaxa se soma ao imposto anterior de “práticas desleais”, que era de até 25%. Esse acúmulo pode elevar drasticamente os custos dos produtos brasileiros em mercados americanos. Além disso, setores específicos também enfrentam sanções pesadas impostas pelo Departamento de Comércio americano; por exemplo, há cotas rígidas e multas setoriais como US 357,60 por tonelada excedente no açúcar ou uma taxa adicional de 26,4% aplicada a lotes extras de carne bovina.
Acusações sobre comércio com China geram reação do Itamaraty
O relatório emitido pela agência americana aponta indícios preocupantes quanto ao uso de trabalho forçado na produção pecuária brasileira. O documento critica especificamente o aumento exponencial nas exportações brasileiras para os chineses: as vendas de carne congelada saltaram dramaticamente de apenas 94 mil toneladas em 2015 até atingir impressionantes 1,65 milhão de toneladas no ano de 2025. Essa elevação foi caracterizada como uma “vantagem desleal de custo” que prejudicaria produtores americanos.
Diante do cenário e das sanções unilaterais americanas, a diplomacia nacional reagiu com veemência. Em nota oficial assinada pelo ministro Mauro Vieira, o Itamaraty criticou duramente a postura adotada por Washington. A instituição destacou publicamente que impor tais tarifas viola as regras estabelecidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) nos moldes internacionais.
O Ministério também argumentou em defesa dos esforços internos brasileiros: segundo eles, essa ação não só é ilegal no âmbito comercial global como acaba minando os avanços feitos internamente para combater trabalho análogo à escravidão — um processo vital de atualização da “lista suja” e fortalecimento das fiscalizações trabalhistas nacionais.
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Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



