Conflitos globais e El Niño pressionam custos no mercado de fertilizantes, diz Yara Brasil

A escassez de matérias-primas e a competição com a indústria energética elevam os custos de fertilizantes, impactando a rentabilidade dos agricultores.

24/07/2026 13:00

4 min

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O mercado global de fertilizantes enfrenta um período crítico, marcado por tensões geopolíticas. Conflitos na Rússia e na Ucrânia, além da situação no Oriente Médio, têm gerado escassez de matérias – primas e pressionado os custos de produção agrícola.

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A análise é de Marcelo Altieri, presidente da Yara Brasil, que conversou com Carlos Sambrana no programa “É NEGÓCIO” da CNN Brasil.

Os conflitos impactam diretamente o fornecimento de insumos essenciais para a agricultura mundial. Rússia e Ucrânia são grandes fornecedores de fosfato, potássio e nitrogênio. Simultaneamente, o Oriente Médio representa 35% da produção global de nitrogênio.

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Com a instabilidade no Estreito de Ormuz, a disponibilidade de enxofre também foi afetada. “O enxofre subiu 130% desde que o início do conflito começou”, destacou Altieri. Essa matéria – prima é crucial para a produção de fertilizantes fosfatados, como o MAP (Fosfato Monoamônico), que requer entre 400 e 450 quilos do mineral para cada tonelada produzida.

Cenário diferente em relação à guerra anterior

A situação atual dos preços dos fertilizantes é distinta daquela observada durante a guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele período, os valores subiram junto com a valorização dos grãos, o que ajudou a preservar as margens dos agricultores. Atualmente, os estoques mundiais de grãos estão altos, mas os preços não acompanharam o aumento dos custos dos insumos. “No conflito anterior, você precisava de 30, 35 sacas de milho para comprar uma tonelada de MAP.

Hoje, você precisa de 70″, explicou Altieri.

A relação de troca entre produtos agrícolas e insumos — conhecida como barter ratio — dobrou, tornando as finanças dos produtores rurais muito desfavoráveis.

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Disputa por matérias – primas com outras indústrias

Outro fator que tem agravado a situação é a competição por matérias – primas entre o agronegócio e a indústria energética. O crescimento na produção de baterias para veículos elétricos e eletrodomésticos também demanda enxofre e ácido fosfórico. “Essa disponibilidade está em competição direta com o agronegócio”, alertou Altieri.

Ele destacou que a demanda por esses insumos por outras indústrias cresce em um ritmo muito mais acelerado que na agricultura.

Para lidar com esse cenário desafiador, a Yara adotou estratégias como diversificar as origens das suas matérias – primas e expandir a produção em fábricas localizadas fora das áreas em conflito. “O impacto para a Yara hoje é menor que para outras companhias no mercado”, ressaltou Altieri.

Desafios climáticos e sustentabilidade

Além das questões geopolíticas, o fenômeno climático El Niño surge como um novo desafio para os agricultores. Especialistas afirmam que pode ser um dos mais severos das últimas décadas. Altieri reconheceu que as mudanças climáticas são uma realidade inegável na agricultura moderna e enfatizou: “Não há como resolver a crise climática sem abordar as necessidades do setor agrícola.” Para ele, o Brasil possui uma posição privilegiada para avançar nessas duas frentes simultaneamente: “O Brasil não tem que escolher entre alimentar o mundo ou resolver o clima.

O Brasil pode fazer as duas coisas.”

A Yara vem investindo em iniciativas sustentáveis, como a linha Yara Climate Choice, que traz fertilizantes produzidos com 100% de energia renovável. Além disso, destaca – se pela produção de amônia renovável em Cubatão utilizando biometano extraído de resíduos da indústria sucroalcooleira.

Preocupações dos agricultores brasileiros

No entanto, Altieri também apontou três preocupações principais dos produtores rurais: mudança climática, acesso ao crédito e falta de incentivos adequados. Ele lembrou que todo sistema alimentar se sustenta em apenas 20 centímetros de solo e que os agricultores são os guardiões desse recurso vital: “Mas eles não recebem compensação por fazer as coisas certas nesse solo.”

Altieri concluiu afirmando que não existe potência agrícola no mundo que não ofereça algum tipo de suporte aos seus produtores — seja através de crédito ou garantias financeiras — e criticou: “O Brasil sempre produz sem subsídio. Acho que falta mais apoio ao mesmo nível recebido pelos agricultores em outros países.”

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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