Abiquim alerta sobre impacto de tarifas dos EUA que podem aumentar custos em US 66 milhões

A Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) alertou nesta quinta – feira (16) sobre o impacto das novas tarifas de importação que os Estados Unidos impuseram a produtos brasileiros. Segundo a entidade, essa medida pode resultar em um aumento de custos de até US 66 milhões para o setor químico até o final deste ano.
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Os produtos que devem sofrer as maiores consequências incluem tintas, vernizes e lacas, além de fibras têxteis sintéticas e itens como sabões, detergentes e produtos de perfumaria. A Abiquim destaca que esses produtos estarão sujeitos a uma sobretaxa próxima de 25%.
Além desses segmentos, químicos orgânicos e resinas também serão impactados, embora os químicos inorgânicos e defensivos agrícolas tendam a enfrentar menos efeitos devido à alta participação de produtos isentos.
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Detalhes sobre as tarifas e isenções
De acordo com as contas da Abiquim, apenas 42% dos códigos tarifários SH 6 do total exportado pelo Brasil aos EUA foram afetados. No entanto, esses códigos representam uma parte significativa do valor total das exportações. A associação revelou que dos 1.177 códigos SH 6 analisados, 493 estão isentos da nova sobretaxa enquanto 684 códigos — cerca de 58% — estarão sujeitos à tarifa imposta pelo governo Trump.
Ainda segundo a entidade, apesar de a maior parte do valor exportado estar concentrada em poucos produtos beneficiados pelas isenções, a sobretaxa ainda recai sobre a maioria dos itens na pauta exportadora do setor químico. Essa situação gera uma preocupação significativa entre os empresários do setor, que veem suas margens de lucro ameaçadas por essas novas regras comerciais.
Implicações comerciais e retaliação
A Abiquim observou que as isenções abrangem entre 64% e 71% das vendas brasileiras para os EUA, focando em alguns produtos com grandes volumes comercializados como alumina calcinada, silício, hidróxido de alumínio e óxido de nióbio. Apesar disso, o superávit comercial dos EUA no setor químico com o Brasil foi superior a US 9 bilhões no ano passado.
Para a Abiquim, essa nova política não tem justificativa dentro do contexto comercial entre Brasil e Estados Unidos e não contribui para aumentar a competitividade da indústria norte – americana. O posicionamento da entidade reflete preocupações mais amplas sobre como essas medidas podem afetar as relações comerciais entre os dois países no longo prazo.
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Repercussão no setor
A reação do setor químico brasileiro é uma mistura de frustração e preocupação com o futuro das exportações. Empresários têm se reunido para discutir estratégias que possam mitigar os impactos dessas tarifas. Muitos acreditam que ações diplomáticas poderiam ser mais eficazes do que retaliações que podem acabar prejudicando ainda mais as relações bilaterais.
O momento é crítico para o setor químico nacional, que já enfrenta desafios internos como aumento nos custos operacionais e concorrência crescente no mercado global. A expectativa é que a Abiquim continue monitorando a situação e busque alternativas junto ao governo brasileiro para proteger os interesses dos exportadores nacionais.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



