Moraes arquiva inquérito sobre espionagem envolvendo Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu na segunda – feira (20) arquivar o inquérito sobre o uso ilegal do sistema de espionagemFirst Mile, que envolve o ex – presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex – diretor – geral da Abin Alexandre Ramagem, e os ex – agentes Marcelo Araújo Bormevet e Giancarlo Gomes Rodrigues.
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Moraes, no entanto, determinou que a investigação siga em relação a Carlos Bolsonaro e outros 27 investigados, que incluem ex – dirigentes e servidores da agência.
Na sua decisão, Moraes destacou que não há necessidade de um novo processo contra os quatro mencionados, já que os mesmos fatos foram analisados em condenações anteriores pela Primeira Turma do STF. Essas condenações se referem à tentativa de golpe de Estado e ao uso da Abin para desacreditar as eleições de 2022.
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O uso do sistema First Mile já havia sido considerado como prova nas condenações anteriores, levando a Procuradoria – Geral da República a concluir que reabrir o caso representaria um julgamento duplo dos mesmos fatos.
Desdobramentos da investigação
A situação se altera para Carlos Bolsonaro, que era o único investigado com foro privilegiado no STF. Com o arquivamento da ação contra ele, não há mais razões para a continuidade do caso na Corte. Agora, a investigação dos outros 28 indiciados, que não possuem foro especial, será encaminhada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1.
Carlos Bolsonaro foi identificado pela Polícia Federal como parte do “núcleo político” envolvido na coordenação do chamado “Gabinete do Ódio”.
Além dele, estão sob investigação Luiz Carlos Nóbrega (chefe de gabinete), Luiz Fernando Corrêa (diretor – geral), José Fernando Chuy (corregedor) e Lucio de Andrade Vaz (coordenador de operações de busca). O ex – número dois da Abin, Alessandro Moretti, foi demitido em 2024 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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As acusações contra esse grupo incluem tentativas de obstruir investigações e pressionar testemunhas. Contudo, Moraes observou que essas alegações foram apresentadas de maneira genérica pela PF.
Uso ilegal do sistema First Mile
A investigação teve início após uma reportagem do jornal O Globo em março de 2023 revelar o uso do programa de monitoramento durante o governo Bolsonaro. Segundo as apurações, uma célula clandestina dentro da Abin começou suas atividades em 2019 e utilizou o sistema First Mile — fornecido pela empresa israelense Cognyte — para rastrear em tempo real celulares de alvos políticos sem autorização judicial ou conhecimento das operadoras telefônicas.
Os alvos incluíam quatro ministros do STF: Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, além de parlamentares, jornalistas e servidores do Ibama e Receita Federal. Em um relatório final entregue em junho, a Polícia Federal afirmou que essa estrutura funcionou como um núcleo de contrainteligência voltado para interesses políticos do então presidente Bolsonaro, também vinculada à disseminação de desinformação sobre o sistema eleitoral e o próprio STF.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



