Letalidade policial cresce 5,4% no Brasil em 2025, aponta Anuário da Segurança Pública

O aumento na letalidade policial em 2025 destaca a persistência de uma política de confronto, com 82% das vítimas sendo pessoas negras.

23/07/2026 09:13

2 min

Imagem ilustrativa de violência policial
Imagem ilustrativa de violência policial

O Brasil registrou 6.602 mortes resultantes de intervenções policiais em 2025, um aumento de 5,4% em relação ao ano anterior. O dado foi revelado pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública e marca o maior índice desde o início da série histórica, em 2016.

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Esse cenário se destaca ainda mais quando comparado à queda de 10% nos homicídios dolosos no mesmo período.

Atualmente, a letalidade policial corresponde a 16,2% de todas as mortes violentas intencionais (MVI) no país, indicando que uma em cada seis mortes é causada por agentes estatais. O perfil das vítimas se mantém estável: 82% são pessoas negras e a maior parte das ocorrências envolve jovens na faixa etária de 18 a 24 anos.

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Ranking por região

O Amapá lidera o ranking nacional, mantendo pela sétima vez consecutiva a maior taxa de mortes decorrentes de intervenção policial. Em contraste, Roraima apresenta o menor índice do país.

A tabela abaixo apresenta as taxas de letalidade policial por 100 mil habitantes em 2025:

1º Amapá – 17,1; 2º Bahia – 10,6; 3º Sergipe – 8,4; 4º Pará – 7,3; 5º Goiás – 4,9; 6º Rio de Janeiro – 4,6; 7º Paraná – 4,1; 8º Rio Grande do Norte – 4,0; 9º Mato Grosso – 3,6; e 10º Alagoas – 3,6. A média nacional é de 3,1.

Na sequência estão Rondônia (2,7), Mato Grosso do Sul (2,6), Ceará (2,1), Maranhão (2,0), São Paulo (1,8), Espírito Santo (1,8), Tocantins (1,6), Paraíba (1,4), Santa Catarina (1,2), Pernambuco (1,1), Acre (1,0), Minas Gerais (1,0), Amazonas (0,9), Piauí (0,9), Rio Grande do Sul (0,7), Distrito Federal (0,5) e Roraima com apenas 0,4.

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A Operação Contenção e suas consequências

No contexto do Rio de Janeiro, a “Operação Contenção” exemplifica essa realidade alarmante ao resultar em impressionantes 122 mortes em apenas dois dias. Especialistas ressaltam que esses índices persistentes revelam fragilidade nos mecanismos de controle das forças policiais e a manutenção de uma política que prioriza o confronto.

A continuidade desse cenário crítico levanta questões sobre a eficácia das políticas públicas voltadas para a segurança e os direitos humanos no Brasil. As autoridades enfrentam pressão crescente para reformular as estratégias utilizadas nas operações policiais e buscar alternativas que visem reduzir a violência sem comprometer a vida dos cidadãos.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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