Operação Janus prende 11 suspeitos de atuar como operadores financeiros do PCC em SP

A operação revela a complexa rede financeira do PCC em São Paulo, destacando a corrupção policial e a movimentação de recursos ilícitos pela facção.

22/07/2026 09:40

4 min

Montagem ilustrativa
Montagem ilustrativa

A Operação Janus, deflagrada nesta terça – feira (21) pelo Ministério Público de São Paulo, resultou na prisão de 11 indivíduos suspeitos de integrarem um grupo que atuava como operador financeiro do PCC (Primeiro Comando da Capital). A investigação revelou mensagens e áudios que indicam a existência de um esquema criminoso e a “corrupção sistêmica de policiais”, conforme apontado pelo MP.

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O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) foi responsável por essa ação, que é um desdobramento das operações Bazaar e Recidere.

Os promotores alegam que os detidos movimentavam recursos ilícitos em benefício de membros da facção e utilizavam a própria organização para resolver disputas pessoais através do que é conhecido como “tribunal do crime”. O pedido que fundamentou a operação incluiu 18 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão, totalizando 120 páginas.

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Esse documento foi protocolado em 22 de junho na 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital.

Investigação detalha esquema financeiro

No pedido, foram anexadas diversas evidências, incluindo mensagens textuais, áudios transcritos, planilhas e capturas de tela extraídas de celulares apreendidos nas operações Bazaar, Recidere e Salus et Dignitas. O objetivo é comprovar a prática do crime de promoção e financiamento de organização criminosa, conforme previsto na Lei nº 12.850/2013.

O principal alvo identificado é Cléber Azevedo dos Santos, descrito como o operador financeiro do PCC.

A peça evidencia que Cléber se referia a si mesmo como “companheiro” do PCC em mensagens trocadas. Essa nomenclatura indica uma posição subordinada à hierarquia da facção sem ser um membro formal. A investigação aponta que ele vendeu um imóvel na Riviera de São Lourenço por R 4 milhões a Marcelo de Morais Oliveira, mas parte desse valor já havia sido abatida anteriormente.

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Em conversas gravadas, Cléber mencionou problemas relacionados ao pagamento dessa venda. Ele fez referência a um encontro com um contato chamado “Zé São Paulino”, onde expressou sua preocupação com uma dívida: “Problema com umas ideias do comando de uma casa que tenho na Riviera”.

Os promotores interpretaram essa expressão como uma alusão ao tribunal do crime utilizado para resolver conflitos internos da facção.

Áudios revelam intimidade com a facção

Em um áudio enviado em 30 de junho de 2023, Cléber narra sua disputa a Zé São Paulino, pedindo que o caso fosse analisado na zona norte da capital paulista. Ele menciona um sócio chamado “Léo”, identificado como Leonardo Meirelles — doleiro foragido após condenação na Lava Jato — e relata uma agressão sofrida em seu restaurante em Santana.

Ao final do áudio, Cléber agradece aos “irmãos” pela atenção dada ao seu pedido.

Além disso, os investigadores descobriram um grupo intitulado “Assunto pertinente a casa Riviera” contendo gravações sobre o tema. Em uma dessas gravações datada de 9 de junho, Alexandre Viriato da Silva — conhecido como “Gordão” — fala sobre manter pessoas em cativeiro.

As mensagens indicam discussões sobre pagamentos a diversos membros da facção.

Corrupção policial e movimentações financeiras

Um aspecto preocupante revelado durante as investigações foram as referências diretas à necessidade de pagamentos a policiais. Em setembro de 2021, Robson Martins de Souza alertou Bruno Ramos Fernandes sobre valores destinados a delegacias. Um áudio posterior revela Cléber solicitando R 50 mil para pagar policiais e outro registro menciona R 100 mil necessários para atender um cliente.

Mensagens também indicam ligações entre membros do PCC e oficiais da Polícia Militar. Transcrições mostram Cléber sendo questionado sobre coronéis conhecidos no meio policial, sugerindo uma rede complexa que envolvia autoridades em suas atividades criminosas.

Medidas solicitadas pelo Ministério Público

Além das prisões realizadas, o Gaeco requeriu o arresto, sequestro e bloqueio dos bens relacionados a 19 pessoas físicas e quatro empresas envolvidas no esquema criminoso. A prisão preventiva dos suspeitos foi solicitada com base nos artigos 311, 312 e 313 do Código de Processo Penal.

Os promotores argumentam que as evidências acumuladas reforçam a necessidade dessa medida cautelar antes do julgamento.

Todas as pessoas citadas ainda são investigadas sem terem sido condenadas até o momento, garantindo assim o direito à presunção da inocência. A CNN Brasil está buscando contato com as defesas dos indivíduos mencionados para obter mais informações sobre o caso.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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