Letalidade Policial Aumenta: 47 Vítimas Civis Por Agente Morto

A letalidade policial no Brasil apresentou piora significativa nos índices de intervenção estatal durante o ano de 2025. Embora tenha havido uma redução geral nas mortes violentas intencionais, os dados apontam um aumento preocupante na quantidade de vítimas decorrentes da própria ação das forças policiais.
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Os números foram divulgados nesta quinta – feira (23/7) pela edição deste ano do Anuário Brasileiro da Segurança Pública, publicação realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). De acordo com a análise contida no relatório, houve recorde em mortalidades por Intervenções Policiais — as chamadas MDIP—, totalizando 6.602 casos e representando um salto considerável de 5,4% comparado ao período anterior.
Disparidades na letalidade: o uso desproporcional da força
Apesar dos avanços que levaram à queda das Mortes Violentas Intencionais (MVI) – soma incluindo homicídios dolosos e latrocínios –, os pesquisadores destacaram como critério fundamental a comparação entre mortes civis pelas polícias versus assassinatos em confrontos com agentes do Estado.
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Essa análise é crucial para mensurar eventual abuso no emprego da violência policial.
O advogado estadunidense Paul Chevigny, estudioso de letalidade nas Américas, propôs um parâmetro histórico desde 1991: ocorrências superiores ao limite sugerido — dez vítimas cíveis por cada agente assassinado —, indicariam o uso desproporcional ou até mesmo execuções fora dos limites legais estabelecidos nos confronto armado.
Bahia e outras regiões sob os holofotes
A disparidade entre mortes civis pelas forças policiais em comparação com assassinatos contra agentes é particularmente gritante na Bahia. No estado do Nordeste, a proporção foi de impressionantes 523 óbitos para civis pela segurança pública para cada policial que sofreu um homicídio durante confrontos no ano passado.
Em nível nacional, o Anuário aponta nove estados onde foram registrados casos de MDIP sem registro concomitante de assassinato de polícias por confronto (incluem Acre, Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso e outros). O Paraná se destacou como exemplo extremo dessa discrepância regional: lá, quatrocentos e oitenta e dois pessoas morreram pelas forças policiais em apenas dois mil e cinco.
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Padrões sociais da violência policial
O relatório também revelou padrões demográficos preocupantes entre as vítimas das intervenções estatais no ano passado. A maioria dos falecidos foram homens jovens — com idade concentrada na faixa de 20 a 29 anos—, sendo que negros representaram uma parcela desproporcionalmente alta do número total.
Para Leonardo Silva, coordenador temático do FBSP e autor sobre o tema letalidade em sua análise para *A Ponte*, tanto os índices elevados quanto esses perfis raciais apontam um problema sistêmico: “Será que o Estado é incapaz… de pensar alternativas de atuação que não demandem utilização da força?”.
Conexão entre violência policial e crime organizado. Além do uso excessivo da força, há uma preocupação crescente com como esse descontrole estatal facilita envolvimentos ilegais na esfera criminal. O pesquisador Leonardo Silva alerta para essa lógica: quanto menor o controle exercido pelo Estado sobre suas forças policiais em 2025, maior é o espaço aberto para práticas arbitrárias que podem levar à captura de agentes por organizações criminosas.
O Anuário também fez um levantamento das taxas mais críticas no país; além da Bahia — já apontada pela polícia ser a “mais letal desde dois mil e vinte – dois” —, foi destacado ainda Amapá (governado por Clécio Luís), com uma taxa alarmante per capita comparativamente ao restante do Brasil.
Saúde mental dos policiais em foco. Um aspecto que merece atenção é o aumento de casos relacionados à saúde física e psicológica das próprias forças militares. Em 2025 houve um registro significativo episódios desses tipos; dados apontam para a necessidade urgente repensar não apenas as políticas institucionais, mas também como os agentes são formados no cotidiano.
A análise completa sobre letalidade policial está disponível na edição deste ano do Anuário Brasileiro da Segurança Pública (FBSP), documento fundamental para entender se há uma falha estrutural em modelos atuais de segurança pública brasileiros.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



