Catadores Exigem Participação Real Contra Incineração em SP

Catadores exigem participação real contra incineração e buscam protagonismo nas políticas públicas do município até 2046.

23/07/2026 17:31

4 min

Representantes dos catadores após audiência pública no Centro Cultural São Paulo.
Representantes dos catadores após audiência pública no Centro Cu...

O debate sobre o futuro do lixo no município de São Paulo foi intenso durante a audiência pública realizada na última quarta – feira, com foco nas diretrizes propostas pelo Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS), um plano que se estende por projeção aos próximos vinte anos.

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O encontro ocorreu no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e reuniu representantes da Prefeitura paulistana em parceria com a ONU – Habitat.

Enquanto os organizadores apresentaram 24 metas detalhadas para a administração municipal — incluindo destinar dos resíduos coletados domiciliarmente até o ano de 2040 —, críticos presentes levantaram bandeiras contra tecnologias como incineração, defendendo maior foco na inclusão social dos catadores autônomos

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O Conflito entre Tecnologia Térmica e Inclusão Social

A principal tensão do evento foi visível no debate sobre métodos de tratamento. As propostas municipais incluem uma meta ambiciosa que prevê alcançar um índice de da taxa de recuperação por meio de tratamentos térmicos para os rejeitos domésticos também em 2040.

No entanto, o público presente questionou se essas metas ignoravam estratégias já discutidas anteriormente pelo setor informal. Nanci Darcolléte, diretora executiva do movimento Pimp my Carroça, criticou a direção apontada pela prefeitura ao Brasil de Fato: “Infelizmente, com o que está sendo desenhado, a gente vê que a prefeitura quer colocar força nos ecoparques e numa tecnologia de aproveitamento energético.”

“Eles não querem colocar força na inclusão dos catadores autônomos nem no fomento das cooperativas,” reforçou ainda ela.

Defesa da Causa Catadora em São Paulo

Os defensores históricos da categoria argumentaram que os planos revisados desconsideram propostas construídas por eles. Segundo Darcolléte, há catorze anos era possível planejar um futuro onde as resíduos produzidos pela cidade seriam levados pelas próprias cooperativas — com potencial para ter uma unidade em cada distrito —, sem depender mais exclusivamente de aterros sanitários convencionais.

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“Por que a gente está falando de incinerador? Será que não deveríamos ir na direção de estratégias muito mais modernas… e priorizar logística reversa?”, questionou Amanda Paulista, assessora da vereadora Marina Bragante (PSB), apontando o caminho das vanguardas ambientais.

O professor Mauricio Pazini Brandão do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) também criticou este foco tecnológico excessivo. Ele lembrou à plateia sobre outras tecnologias avançadas disponíveis no Brasil, citando sua própria experiência há quatro anos com tratamento por plasma térmico para resíduos.

As Metas Propostas pelo PGIRS

Por outro lado, Luiz Gustavo Vilela, coordenador de programas na ONU – Habitat Brasil e organizador do evento, defendeu as metas apresentadas pela administração municipal em São Paulo. Para ele, é fundamental esclarecer que o “tratamento térmico” ou incineração não deve ser visto como a tecnologia principal; trata – se apenas de um componente auxiliar complementar ao sistema geral.

“Não adianta só colocar mil cooperativas,” explicou ainda Vilela sobre os catadores serem vitais à gestão dos rejeitos sólidos: “Entende? As coisas têm que ser compostas.”

O Escopo das 24 Metas para Resíduos Sólidos

Apesar do debate acalorado em torno da prioridade entre inclusão social e tratamento energético, o Plano estabelece diversas metas concretas. Entre elas está destinar dos resíduos provenientes de coleta domiciliar até 2040 por meio da operação integrada prevista no PGIRS.

Em termos operacionais, a cidade planeja aumentar significativamente sua capacidade: deve – se alcançar um total de 170 ecopontos na rede paulistana até 2036, além de fortalecer programas como SP Coopera para ampliar as vagas de habilitação das cooperativas rumo ao ano de 2032.

Recicláveis, Compostáveis e Aterros

Outras metas apontam a necessidade crescente da economia circular municipal: destinar dos resíduos domésticos até 2040 para tratamento biológico — utilizando compostagem ou biodigestão —, além de garantir um destino final ambientalmente adequado aos aterros sanitários que recebem serviços públicos municipais no horizonte 2046.

Para o manejo do lixo urbano como um todo, é previsto implantar projeto – piloto em coleta domiciliar segregada nas três frações (orgânicos, recicláveis e rejeitos) já na meta estabelecida para 2028. A cobertura seletiva deve ser mantida nos das vias da cidade.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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