Patriarcaio alimenta feminicídio e silencia vítimas em Brasil

O patriarcado continua a alimentar o ciclo violento contra mulheres e crianças, expondo feridas históricas profundas na sociedade brasileira.
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Apesar dos discursos públicos que demonstram indignação ou apoio ao enfrentamento da violência doméstica por parte de alguns homens — exigindo renúncia do privilégio de falar mais alto —, os números mostram um quadro alarmante no Brasil: quatro vidas são perdidas diariamente apenas pela condição feminina em território nacional.
Violência não é só segurança pública; revela dominação estrutural
Os dados recentes desconstroem qualquer ilusão sobre a natureza desse problema. Enquanto o número geral de mortes violentas tem apresentado queda, há uma escalada preocupante na taxa específica de violência contra gênero feminino. Isso indica que estamos lidando com algo muito além da esfera isolada da criminalidade urbana — trata – se de mecanismos específicos e profundos de domínio patriarcal.
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O impacto dessa estrutura violenta vai para as próximas gerações: apenas em 2024 foi identificado pelo menos um total de 928 filhos cujas mães foram vítimas consumadas de feminicídio. Em muitas dessas tragédias, os próprios descendentes estavam presentes no momento do crime brutalmente cometido pela cultura machista dominante.
A pedagogia invisível por trás dos atos violentos
É crucial entender que a violência não nasce somente nos momentos extremos; ela é preparada há muito tempo por uma cultura social capaz de naturalizar hierarquias e autorizar o silenciamento das vozes mais vulneráveis. O patriarcado possui sua própria “pedagogia”, ensinando meninos desde cedo sobre dominação enquanto condiciona meninas ao papel da submissão ou à capacidade constante de ceder em prol do outro.
Essa lógica se manifesta na família, nas escolas e até mesmo no âmbito institucional: ele estabelece um sistema onde as mulheres cumprem papéis essenciais — como os cuidados reprodutivos —, mas que são invisibilizados economicamente e desvalorizados pela sociedade machista dominante.
A cultura ainda opera sob uma forte noção de posse; é por isso o agressor sente – se dono das vítimas.
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O desafio dos privilégios masculinos
A dificuldade não reside apenas nos homens violentos capturados pelas manchetes da mídia diariamente. Ela está também presente em aqueles indivíduos considerados aliados do movimento feminista ou antirracismo, quando estes resistem a perder seus próprios espaços privilegiados na estrutura social brasileira.
O problema se torna complexo ao exigir um compartilhamento real — seja no trabalho doméstico diário, sejam nas decisões mais importantes sobre poder e tempo livre acumulado pelos séculos patriarcais.
Assim sendo, questiona – se: o apoio aos direitos de igualdade é suficiente por meio simples de uma postagem digital? A verdadeira questão que precisa ser enfrentada pela sociedade não é saber quem apoia as mulheres publicamente; mas sim estar dispostos coletivamente para abrir mão dos privilégios históricos confortáveis do sistema machista em prol da mudança prática das estruturas sociais brasileiras.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



