PT formaliza coligação à esquerda com Geraldo Alckmin como vice

A coligação do PT com Geraldo Alckmin visa fortalecer a esquerda nas eleições de 2026, enquanto o PL busca aliados para a candidatura de Flávio Bolsonaro.

04/08/2026 09:30

4 min

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à esquerda; o senador Flávio Bolsonaro (PL), à direita
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à esquerda; o senad...

O Partido dos Trabalhadores (PT) formalizou sua coligação para as eleições presidenciais, mantendo uma aliança totalmente à esquerda. O ex – governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSB, foi confirmado como candidato a vice. Por outro lado, o PL ainda procura aliados para compor a chapa do deputado Flávio Bolsonaro, que não definiu seu vice e enfrenta recusas frequentes de partidos do Centrão.

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Durante o programa CNN Eleições – Convenções, analistas políticos discutiram as principais candidaturas até este momento. A coligação do PT é considerada semelhante à formada em 2022, com uma adição significativa: a inclusão do PDT, que anteriormente lançou candidatura própria com Ciro Gomes.

Estratégia do PT e propostas apresentadas

O analista de Política da CNN Caio Junqueira comentou que a campanha petista tem consciência das altas taxas de aprovação e desaprovação do atual governo — ambas na faixa de 45% a 48%. “A linha da campanha é justamente não tentar vender um Brasil que não existe”, avaliou Junqueira.

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Dessa forma, a estratégia é focar em propostas para um possível novo mandato, batizadas internamente como “realismo”.

No discurso da convenção, foram apresentados temas como um programa especial para idosos, combate ao feminicídio e desenvolvimento da indústria de defesa e minerais críticos. No entanto, questões relacionadas à segurança pública e ajuste fiscal ficaram em segundo plano.

Segurança pública e ajustes econômicos em segundo plano

A analista Isabel Mega destacou que a segurança pública, embora sendo a principal preocupação do eleitorado brasileiro neste ciclo eleitoral, foi apenas mencionada superficialmente durante o discurso de 62 minutos. “Ele só margeou esse assunto quando falou sobre feminicídio, mas sem apresentar uma linha propositiva específica sobre segurança pública”, afirmou Mega.

Em relação ao ajuste fiscal, ela observou que a campanha ainda está calibrando seu discurso econômico. “Fica ainda uma dúvida sobre como eles vão balizar esse discurso da economia”, acrescentou a analista.

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Tensão com o Centrão e crítica ao Congresso

Outra questão abordada durante a convenção foi a crítica às emendas parlamentares. O analista Pedro Venceslau considerou isso um ataque direto ao Congresso Nacional. Julliana Lopes relatou que uma fonte do Centrão classificou o discurso como “muito perigoso”, alertando para o fato de que a próxima composição da Câmara dos Deputados e do Senado pode favorecer ainda mais o Centrão e a oposição bolsonarista.

“O Centrão não quer saber dessa conversa de fazer uma ‘cruzada’ contra as emendas parlamentares”, afirmou a fonte citada por Lopes. Assim, se reeleito, o candidato enfrentaria sérias dificuldades na articulação política com um Legislativo mais resistente às suas pautas.

Situação isolada de Flávio Bolsonaro

A situação do PL se torna cada vez mais isolada. Na semana anterior à convenção, partidos como a Federação Progressistas e União Brasil negaram apoio à chapa de Flávio Bolsonaro (PL), assim como o Republicanos optou pela neutralidade após reunião com Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha.

A analista Jussara Soares explicou que essa neutralidade reflete uma estratégia dos partidos do Centrão para manter independência nas negociações com qualquer governo eleito. “Se não fecharmos aliança agora e conseguirmos nos distanciar de Flávio Bolsonaro, estaremos prontos para conversar caso Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito”, afirmou Soares.

Definições pendentes entre outros candidatos

Entre os outros candidatos já definidos até agora estão Ronaldo Caiado (PSD), que terá Gilberto Kassab (PSD) como vice; Renan Santos (Missão), que contará com Coronel Aroldo Medina (Missão). Romeu Zema (Novo) também permanece sem definição de vice e indicou que essa escolha só ocorrerá no prazo final, dia 5 de agosto, enquanto aguarda possíveis coligações.

A corrida eleitoral segue intensa enquanto cada partido busca definir suas estratégias e alianças até as eleições presidenciais deste ano.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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