Pesquisadores apontam estratégias para cortar metano na produção de arroz com foco no RS

Pesquisadores propõem manejo sustentável da água para diminuir emissão de metano na produção de arroz gaúcha com foco em 2026.

22/07/2026 13:53

4 min

Tema foi debatido nesta terça-feira (21), durante o painel ‘Menos Metano, Mais Futuro: segurança alimentar e inovação no cultivo de arroz’
Tema foi debatido nesta terça-feira (21), durante o painel ‘Meno...

O Rio Grande do Sul é responsável por cerca de 70% da produção brasileira de arroz irrigado e também concentra importantes estudos sobre como reduzir as altas taxas de emissão de metano associadas à cultura no país.

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Este tema foi o foco principal em um painel realizado nesta terça – feira (21), chamado “Menos Metano, Mais Futuro: segurança alimentar e inovação no cultivo de arroz”, que fez parte dos eventos POACAW 2026. O debate contou com a participação de pesquisadores renomados na área ambiental agrícola para discutir caminhos mais sustentáveis.

Estratégias técnicas contra emissões de gás

Durante o encontro, Mara Grohs, da pesquisa do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), explicou como ocorre naturalmente a liberação desse metano nas áreas alagadas por plantações de arroz. Segundo ela, é importante entender que não são as plantas responsáveis pela produção; quem emite o gasoso excessivo é o solo durante processos naturais de decomposição sem oxigênio no ambiente aquático.

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A partir dessa compreensão científica — onde estruturas das raízes chamadas aerênquimas facilitam tanto o desenvolvimento quanto a saída do metano —, os pesquisadores passaram a focar na mitigação através dos elementos: manejo do solo e controle da água.

Uma prática eficaz apontada foi drenar temporariamente a lavoura quando há retirada da água após períodos chuvosos ou invernais. Grohs detalhou ainda que essa medida pode diminuir cerca de 25% as emissões para a safra seguinte, sendo adotado por aproximadamente 70% dos produtores gaúchos hoje mesmo.

Rotação agrícola e melhoramento genético

Outro ponto crucial abordou – se o benefício das culturas alternativas ao arroz irrigado tradicionalmente cultivado no estado. A introdução em rotações cultivos como soja, milho e girassol ajuda muito porque permite um período mais longo de oxigenação do solo quando ele recebe novamente plantações de arroz.

Estudos apresentados pelo Irga confirmaram que essa estratégia não só pode reduzir até 54% as emissões de metano na lavoura subsequente, mas também aumentar a produtividade geral nas fazendas em cerca de 20%. Segundo Grohs, essas práticas são vantajosas tanto para os bolsos dos agricultores quanto para o meio ambiente.

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Além disso, foi destacado por Mara Grohs o trabalho com melhoramento genético. A cultivar IRGA 424 RI é citada como exemplo: ela apresenta uma redução estimada de aproximadamente 50% no nível de metano comparado às outras variedades disponíveis.

A pesquisadora esclareceu que esse objetivo não era selecionar plantas menos poluentes inicialmente; ele visava apenas materiais mais e rapidamente produtivos. Como consequência natural desse foco na eficiência do ciclo produtivo — menor tempo significa período reduzido de inundação —, houve a diminuição da emissão total de gás carbônico equivalente em quilo alimento produzido.

Organização social, políticas públicas e o futuro

Em um viés diferente, Edivane Portela apresentou os resultados positivos obtidos pelo Assentamento Filhos de Sepé (Viamão), mostrando como é possível conciliar produção orgânica com organização comunitária no polo contínuo de arroz biológico da América Latina.

Para ele, essa experiência vai além dos aspectos ambientais. O trabalho exige fortalecer as pessoas primeiro: “Primeiro precisamos conversar, fortalecer as pessoas e trabalhar a organização”, afirmou Portoela sobre a importância do diálogo coletivo para que técnicas agrícolas sejam absorvidas.

Por outro lado, Gabriel Quintana abordou o contexto político mais amplo das metas climáticas brasileiras em sua intervenção na POACAW 2026. Ele apontou que discussões já existem desde antes mesmo do Acordo de Paris — como evidenciado pelo Plano ABC+, vigente entre 2020 e 2030 —, mostrando uma preocupação nacional crescente com mitigação agropecuária.

Quintana reforçou ainda que não basta apenas estabelecer cotas; é fundamental criar mecanismos financeiros robustos e assistência técnica no campo para garantir a implementação dessas práticas sustentáveis por todos os produtores.

Por fim, ele fez um comparativo impactante sobre o Rio Grande do Sul: se embora represente menos de 2% das emissões brasileiras totais em metano, concentra cerca de 74% da produção. Segundo Quintana, essa concentração faz dele referência crucial na busca pela redução dos gases sem comprometer alimentos essenciais à segurança alimentar brasileira.**

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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