Operações Escudo e Verão custaram R 349 milhões aos cofres públicos de SP, aponta estudo

O alto custo das operações Escudo e Verão levanta questionamentos sobre a eficácia das ações de segurança e suas consequências sociais em São Paulo.

28/07/2026 12:50

3 min

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As Operações Escudo e Verão, desenvolvidas para combater o crime organizado em resposta às mortes de policiais militares na Baixada Santista, custaram mais de R 349 milhões aos cofres públicos. O levantamento foi realizado pelo Instituto Vladimir Herzog, que analisou as despesas da Polícia Militar, da Polícia Técnico – Científica e do sistema de Justiça Paulista entre 2023 e 2024, período em que ocorreram 84 mortes.

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A pesquisa considerou os recursos gastos com ações de segurança e com os procedimentos decorrentes das mortes, como investigações e perícias. Para compilar os dados, os pesquisadores enviaram ofícios a diversas instituições, incluindo a Polícia Civil, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça, a Defensoria Pública do Estado, a Polícia Militar e a Secretaria de Administração Prisional.

Somente a operação da Polícia Militar teve um custo correspondente a 1% do orçamento liquidado pela corporação em 2023. Mais de 7,9 mil agentes participaram das ações, e os gastos com armamentos e materiais operacionais para os militares foram estimados em R 4.461.572,55.

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Críticas às operações

O Instituto Vladimir Herzog criticou as operações por mobilizarem um grande volume de recursos públicos que resultaram em morte, encarceramento em massa e sofrimento social. A Operação Escudo foi iniciada em julho de 2023 após a morte do policial da Rota Patrick Bastos Reis no Guarujá.

A Operação Verão começou no início de 2024 após as mortes dos policiais militares Marcelo Augusto da Silva, Samuel Wesley Cosmo e José Silveira dos Santos. O governo paulista afirmou que as operações visavam não apenas capturar os responsáveis pelos crimes, mas também combater o crime organizado na região.

No início deste ano, a Defensoria Pública de São Paulo e a Conectas Direitos Humanos denunciaram o Brasil à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) por graves violações aos direitos humanos durante essas operações.

Dificuldades nas investigações

O relatório também reuniu dados sobre as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Os números indicam que o total de denúncias registradas e agentes responsabilizados está muito aquém do número de pessoas mortas injustamente durante as operações.

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Apesar das apurações realizadas por esses órgãos sobre a conduta dos policiais envolvidos nas ações, as versões apresentadas pelas famílias das vítimas não tiveram peso nas investigações.

Das denúncias que avançaram na Justiça, apenas quatro policiais da Rota se tornaram réus pelo assassinato de dois homens; outros cinco foram acusados pela morte de quatro homens. Dos outros 23 casos analisados, ao menos 17 foram arquivados pelo Ministério Público sem qualquer denúncia contra os agentes envolvidos nos homicídios.

Um caso emblemático é o assassinato registrado por câmeras corporais de um homem de 33 anos; segundo o instituto, ele não estava armado quando foi morto pelos policiais.

Posição do Governo de São Paulo

Em resposta às críticas, o Governo do Estado de São Paulo afirmou que todas as mortes decorrentes das operações foram devidamente investigadas. Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) destacou que mantém ações contínuas para preservar vidas através do aprimoramento do trabalho policial e responsabilização por desvios de conduta.

O governo também enfatizou investimentos em treinamento e tecnologia para aumentar a eficiência das ações de segurança pública.

Quanto às Operações Escudo e Verão, a SSP reafirmou que elas visavam combater o tráfico de drogas na Baixada Santista. As operações resultaram na prisão de 2.162 criminosos — sendo 876 foragidos da Justiça — além da apreensão de 238 armas de fogo e cerca de 3,54 toneladas de drogas retiradas das ruas.

Todas as ocorrências relacionadas às mortes durante intervenções policiais foram rigorosamente investigadas pela Polícia Civil com acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar e do Ministério Público. As investigações incluíram análise cuidadosa das provas coletadas, como imagens das câmeras corporais dos agentes envolvidos.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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