Joaninhas e inteligência artificial revolucionam produção de papel higiênico na Suzano

No corredor de papel higiênico do supermercado, muitos consumidores não imaginam que aquele produto passou por um processo complexo antes de chegar às prateleiras. O cultivo de eucalipto, essencial para a produção de celulose utilizada em papéis sanitários, papéis para impressão e embalagens, agora conta com o auxílio de satélites, inteligência artificial e até mesmo joaninhas.
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Essa modernização no manejo florestal visa minimizar os riscos associados às mudanças climáticas, como secas severas, aumento na incidência de pragas e incêndios florestais.
A Suzano, maior produtora de papel e celulose do Brasil, tem investido em tecnologias inovadoras para enfrentar esses desafios. Douglas Lazaretti, vice – presidente executivo florestal da empresa, destaca que a estratégia da Suzano se baseia em três pilares: disciplina operacional, desenvolvimento de novos materiais genéticos e tecnologia aplicada ao manejo. “Todos os anos incorporamos clones mais produtivos e mais resilientes às nossas operações”, afirma Lazaretti à CNN Brasil.
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Inovação no cultivo do eucalipto
Na prática, isso significa cultivar árvores que suportem melhor períodos de estiagem e temperaturas elevadas, além de novas pragas surgidas em decorrência das mudanças climáticas. Os clones são escolhidos com base em características específicas da região onde serão plantados, levando em consideração fatores como solo, relevo e regime de chuvas.
A Suzano mantém um banco genético com mais de 30 mil materiais diferentes e cultiva cerca de 170 clones em seus 1,7 milhão de hectares dedicados ao eucalipto.
A inteligência artificial desempenha um papel crucial na operação da empresa. Com o uso de imagens de satélite e algoritmos avançados, é possível prever problemas antes que eles surjam. Isso inclui identificar alterações no crescimento das árvores e detectar focos iniciais de pragas ou áreas mais suscetíveis a incêndios. “Hoje conseguimos sair de uma atuação reativa para uma atuação proativa e preditiva”, explica Lazaretti.
Essa abordagem permite agir rapidamente antes que anomalias afetem a produção.
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Reduzir as perdas devido a incêndios ou pragas impacta diretamente na oferta da matéria – prima. A Suzano implementou 133 torres equipadas com câmeras inteligentes que monitoram as áreas plantadas em tempo real. Em 2024, essa tecnologia contribuiu para uma redução de 61% nos incêndios registrados nas propriedades da empresa.
Manejo sustentável através da biotecnologia
Outra inovação notável é o uso de inimigos naturais das pragas como alternativa aos inseticidas químicos. A Suzano desenvolve organismos em laboratório para controlar espécies nocivas ao eucalipto. Em 2024, foram liberados mais de 340 milhões desses agentes biológicos em aproximadamente 500 mil hectares, resultando na diminuição do uso químico em cerca de 17,1 mil quilos.
Em algumas áreas, a presença da joaninha Olla v – nigrum eliminou completamente a necessidade de aplicações químicas.
O monitoramento contínuo dentro das florestas também é uma prioridade. Sensores instalados nos troncos das árvores medem o consumo de água, o crescimento das plantas e a captura de carbono em tempo real. Esses dados são analisados juntamente com imagens de satélite por meio da inteligência artificial para auxiliar nas decisões sobre manejo florestal.
Com essas inovações tecnológicas, a Suzano busca não apenas aumentar sua eficiência operacional, mas também garantir um futuro mais sustentável para a silvicultura brasileira. “O negócio florestal está se sofisticando e se tornando cada vez mais tecnológico”, conclui Lazaretti.
O uso crescente dos dados se mostra fundamental para elevar a produtividade e fortalecer as florestas contra os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



