Governo da Venezuela minimiza menções a Maduro e chama Delcy Rodríguez de presidenta

Uma mudança significativa ocorreu na comunicação do governo da Venezuela: o Ministério da Comunicação e Informação deixou de se referir a Delcy Rodríguez como “presidenta interina” e agora a chama simplesmente de presidenta. Essa alteração, que aconteceu em julho, coincide com o cumprimento de 180 dias de Rodríguez no cargo e reflete um movimento estratégico na narrativa oficial do governo, que parece minimizar a presença de Nicolás Maduro, atualmente enfrentando problemas judiciais em Nova York.
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O irmão dela, Jorge Rodríguez, que preside a Assembleia Nacional, também adotou o novo termo em publicações no X (antigo Twitter), indicando uma mudança mais ampla entre os aliados chavistas.
A consolidação do poder
O cientista político John Magdaleno comentou à CNN que essa nova nomenclatura sinaliza uma aceitação dentro da coalizão governamental sobre a continuidade de Rodríguez no cargo. Ele observou que a legitimidade sociopolítica na Venezuela não se baseia nos mesmos critérios que em democracias tradicionais, mas sim nas dinâmicas internas de poder. “A legitimação popular não existe; é uma questão dos fatores de poder”, destacou.
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Magdaleno acrescentou que o governo está buscando reafirmar sua posição sem priorizar a libertação de Maduro, cuja presença já não é tão frequente nas comunicações oficiais. Os apelos por sua liberdade diminuíram desde fevereiro, quando eram comuns no Palácio de Miraflores.
Carmen Arteaga, professora da Universidade Simón Bolívar, ressaltou a relevância simbólica dessa mudança. Para ela, Rodrígues ser chamada apenas de presidenta representa uma clara indicação de que o retorno de Maduro ao poder está sendo deixado para trás.
A cientista política afirmou que as circunstâncias atuais dificultaram ainda mais a posição do ex – presidente deposto.
Desafios internos e externos
Rodríguez enfrenta diversos desafios urgentes agravados pelos recentes terremotos e pelas disputas internas entre facções do chavismo. A luta pelo poder continua complexa e multifacetada, com diferentes atores defendendo suas próprias agendas. Arteaga enfatizou que o chavismo nunca foi um bloco monolítico; ele é composto por várias facções unidas em torno da liderança carismática de Hugo Chávez.
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Desde a morte dele em 2013, as tensões internas têm persistido. Embora Maduro tenha sido escolhido como sucessor, houve constantes disputas por influência e controle dentro do partido. De acordo com Magdaleno, entender como opera essa autocracia exige reconhecer a coalizão dominante que detém os recursos estratégicos necessários para se manter no poder.
Os acordos entre os líderes chavistas costumam excluir grande parte da já reduzida base militante do partido. Magdaleno observou que não existem dados que indiquem mudanças significativas no apoio à Rodríguez nesse setor específico, já que as pesquisas tendem a avaliar apenas níveis gerais de aprovação.
Expectativas futuras
A relação com os Estados Unidos também influencia as decisões do governo venezuelano. O analista observou que Washington estabeleceu limites nas políticas públicas do país e isso pressiona o governo interino a tomar certas decisões econômicas.
As reformas na lei de hidrocarbonetos e na mineração são exemplos disso.
A margem para manobras políticas parece maior nas esferas institucionais, com nomeações recentes indicando um certo grau de liberdade nesse aspecto. Contudo, essa flexibilidade será testada com iniciativas anunciadas pelo chavismo para dialogar com setores da oposição visando promover uma transição democrática.
Arteaga concluiu dizendo que as expectativas populares estão distantes da realidade atual. A busca por acordos entre elites pode criar uma aparência de legalidade, mas não atende aos desejos da cidadania ou da militância venezuelana. A cientista política notou ainda que a urgência das situações enfrentadas pelo governo pode levar Rodríguez a buscar soluções rápidas sem considerar um plano mais duradouro.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



