Maduro e Cilia Flores aparecem em audiência nos EUA com uniformes prisionais beges

Nicolás Maduro, o ex – ditador da Venezuela, e sua esposa, Cilia Flores, participaram nesta quarta – feira (22) de uma audiência no tribunal federal de Manhattan. Este é um dos processos criminais mais significativos na história dos Estados Unidos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Imagens de Maduro e Flores em uniformes prisionais beges foram divulgadas poucas horas após a audiência, que durou cerca de 20 minutos e foi conduzida pelo juiz distrital americano Alvin Hellerstein.
Na mesma sessão, um juiz dos EUA definiu a data do julgamento para Maduro e Flores, que respondem a acusações de tráfico de drogas nos Estados Unidos. O advogado de defesa anunciou planos para contestar o caso com a argumentação de que Maduro possui imunidade processual por ser chefe de um Estado soberano.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Maduro, de 63 anos, e Flores, de 69, foram capturados no dia 3 de janeiro em sua residência em Caracas durante uma operação militar ordenada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Eles foram levados para Nova York após serem indiciados por supostamente utilizar seus cargos para facilitar remessas de cocaína.
Desdobramentos do julgamento
Durante a audiência em Manhattan, Hellerstein também estabeleceu um prazo até 2 de setembro para a primeira rodada de petições da defesa visando anular o caso. Além disso, uma nova audiência foi agendada para 17 de novembro para discutir essas petições.
O advogado Barry Pollack informou ao juiz que buscará a anulação do processo com base na alegação de imunidade.
Maduro enfrenta quatro graves acusações criminais, incluindo conspiração para narcoterrorismo e importação de cocaína. Se for considerado culpado, ele pode enfrentar uma sentença de prisão perpétua. Uma petição judicial apresentada na noite anterior indicou que tanto os promotores da Procuradoria Federal em Manhattan quanto os advogados da defesa concordaram em iniciar o julgamento em junho de 2027. “Todas as partes concordam que este é um cronograma realista”, afirmou Pollack ao juiz.
Leia também
A duração esperada do julgamento ainda não foi definida. Na primeira audiência judicial realizada no dia 5 de janeiro, Maduro se declarou “prisioneiro de guerra”. Ele acenou para alguém na galeria do tribunal enquanto era escoltado por agentes federais após a audiência desta quarta – feira.
Prazos e evidências
O juiz Hellerstein também determinou que os advogados de Maduro apresentem uma segunda rodada de petições até 11 de janeiro de 2027. Essas petições serão feitas após os promotores entregarem provas à defesa, algumas das quais deverão ser classificadas como sigilosas.
Durante a audiência anterior, Pollack sugeriu que a defesa poderia contestar formalmente as acusações sob o argumento da legalidade do processo.
Desde sua captura, Maduro tem denunciado os Estados Unidos como responsáveis por sua deposição com o objetivo de controlar as vastas reservas petrolíferas da Venezuela. Em contrapartida, os EUA classificam Maduro como um ditador corrupto cuja gestão desastrosa resultou no colapso econômico do país e fraudou as eleições presidenciais em 2018 e 2024.
Desde 2019, os Estados Unidos deixaram de reconhecer Maduro como presidente legítimo da Venezuela.
Contexto político
Um parecer jurídico divulgado antes da operação militar determinou que Trump poderia legalmente ordenar a captura de Maduro devido ao interesse nacional envolvido, sem necessidade de autorização do Congresso. Desde então, Delcy Rodríguez assumiu a liderança da Venezuela após a saída forçada do seu ex – chefe e tem estreitado laços com o governo Trump.
Recentemente, os Estados Unidos flexibilizaram algumas sanções contra a indústria petrolífera venezuelana, permitindo que empresas estrangeiras expandissem projetos no setor no país sul – americano.
A última aparição pública de Maduro no tribunal ocorreu em março deste ano durante uma audiência relacionada à proibição imposta pelo governo dos EUA sobre o pagamento dos honorários advocatícios dele. Essa disputa foi resolvida um mês depois com um acordo que permitiu ao governo venezuelano pagar tais custos legais.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



