Galípolo afirma que juros altos devem persistir e pede cautela em reações a dados econômicos

Galípolo enfatiza que a manutenção dos juros altos é essencial para controlar a inflação, mesmo diante de pressões econômicas e críticas do mercado.

24/07/2026 17:21

2 min

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, revelou nesta sexta – feira (24) que a instituição planeja manter a taxa básica de juros em um nível elevado por um período mais longo. A medida visa garantir que a inflação se converja para a meta estipulada.

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Durante eventos em São Paulo com investidores e empresários, Galípolo afirmou que o BC tem adotado uma abordagem focada na coleta de dados ao longo do tempo.

Ele destacou que, apesar dos efeitos do aperto monetário já estarem começando a impactar a atividade econômica, não haverá decisões precipitadas baseadas em dados isolados sobre os índices inflacionários. “Não vamos reagir em função de um dado específico.

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Temos convicção de que, com a taxa de juros no patamar atual, é necessário um remédio mais forte em comparação aos nossos pares”, declarou Galípolo.

Visão do Banco Central sobre o mercado

Além de alertar sobre a manutenção da Selic em níveis contracionistas, Galípolo refutou a ideia de que o BC estaria superestimando as expectativas do mercado financeiro. Ele usou informações da própria autarquia para mostrar que as projeções coletadas junto ao setor produtivo costumam ser mais cautelosas do que as divulgadas no boletim Focus. “Por trás da crítica vem muitas vezes uma correlação vulgar que sugere que membros do mercado respondem ao Focus com intenção de induzir ou influenciar a política monetária”, enfatizou.

O presidente explicou ainda que, ao analisar o levantamento do BC voltado para o setor empresarial, percebe – se que as estimativas de inflação estão sistematicamente acima das reportadas no Boletim Focus. Segundo ele, a teoria de que empresários prefeririam juros mais baixos para facilitar o crédito não se sustenta na prática.

Juros elevados também reduzem o valor presente dos ativos das empresas.

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Impactos das tendências globais e choques estruturais

Galípolo também comentou como choques estruturais de oferta e tendências globais têm afetado as análises do Banco Central. Ele mencionou a incerteza em torno da inteligência artificial como um fator relevante, apontando divisões entre vertentes que pressionam investimentos e custos operacionais.

Embora o Brasil esteja relativamente protegido por ser um exportador líquido de energia, o BC continua atento aos possíveis “efeitos de segunda ordem”. Em sua avaliação, em uma economia com mercado de trabalho e demanda aquecidos, choques temporários de oferta podem facilmente contaminar as expectativas inflacionárias.

Isso reforça a necessidade de manter a taxa de juros elevada por um período prolongado para assegurar a ancoragem até 2028.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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