Como usar inteligência artificial para estudar sem cometer erros e evitar riscos de desinformação

Estudantes devem estar atentos aos riscos da inteligência artificial, como a aceitação de informações falsas e a exposição de dados pessoais.

25/07/2026 08:20

5 min

Uso crescente de chatbots de IA nos estudos levanta debate sobre pensamento crítico e proteção de dados pessoais.
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A inteligência artificial generativa já se tornou uma ferramenta comum na rotina de muitos estudantes brasileiros, que a utilizam para esclarecer dúvidas, resumir textos e revisar redações. Porém, essa facilidade em obter respostas rápidas também trouxe riscos significativos, como a tendência de aceitar informações sem questionar sua veracidade e o compartilhamento inadvertido de dados pessoais.

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Fernando Manfrin, advogado especializado em compliance e proteção de dados, analisa tanto os benefícios quanto os perigos do uso da IA como suporte no aprendizado.

O especialista aponta que a principal vantagem dessa tecnologia no âmbito educacional é sua capacidade de personalização. A IA pode explicar um mesmo assunto de diferentes formas até que o aluno compreenda plenamente, respeitando seu ritmo individual. “A IA atua como um professor disponível 24 horas, capaz de condensar conteúdos complexos, criar exercícios personalizados e simular provas.

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No ambiente virtual, o estudante pode se sentir mais à vontade para fazer perguntas repetidas vezes, sem receio de julgamentos”, destaca Manfrin.

Erros Comuns ao Estudar com Inteligência Artificial

Manfrin identifica alguns erros frequentes cometidos por alunos que usam IA para estudar. O primeiro é acreditar que as respostas geradas são sempre verdadeiras; uma resposta bem formulada não garante que esteja correta. Ele alerta para a possibilidade de a IA fornecer informações incorretas com total confiança.

O segundo erro ocorre quando os alunos pulam a etapa de raciocínio próprio: “As pessoas tendem a aceitar as respostas prontas sem sequer tentar resolver a questão sozinhas”, observa.

Outro problema, mais sutil, é o fornecimento involuntário de dados pessoais à ferramenta. Informações como nome, foto ou dados de colegas podem ser inseridos sem que o usuário tenha consciência das implicações: “Você não sabe onde aquilo vai parar”, resume o advogado.

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Dicas para Verificar Informações da IA

Diante dos riscos apresentados, Manfrin recomenda uma abordagem crítica em relação às informações obtidas através da IA. Ele sugere que os usuários desconfiem das respostas e busquem as fontes originais dos dados citados pela máquina. Isso inclui verificar se as informações são recentes e relevantes, considerando que muitos modelos têm limites em seu conhecimento e podem tratar dados antigos como atuais.

A inteligência artificial pode ser útil para explicar conceitos ou organizar ideias iniciais, mas não deve substituir fontes primárias. “Se o tema envolve uma lei específica, consulte a legislação; se for um artigo científico, leia o artigo completo; e quando se trata de fatos atuais, recorra a veículos confiáveis”, aconselha Manfrin.

Ele enfatiza que a IA deve ser vista como um ponto de partida e não como uma solução final.

Como Formular Perguntas Eficientes

O advogado também aborda a importância da forma como os estudantes interagem com a IA. Um bom prompt deve ser mais parecido com uma conversa do que com um comando rígido. “Trate a IA como uma criança que precisa de explicações detalhadas e contexto apropriado”, sugere.

Ao invés de simplesmente perguntar sobre um conceito específico, é mais eficaz fornecer detalhes sobre o nível escolar do aluno e solicitar analogias ou exemplos práticos.

Além disso, Manfrin recomenda incentivar a própria IA a fazer perguntas ao estudante ao invés de apenas responder suas solicitações. Essa dinâmica ajuda a aprofundar o aprendizado e evita aceitar automaticamente as primeiras respostas fornecidas pela ferramenta.

Cuidado com a Dependência da Ferramenta

Fernando Manfrin ressalta que o uso excessivo da inteligência artificial pode prejudicar habilidades cognitivas essenciais. Conhecido como descarga cognitiva, esse fenômeno ocorre quando as pessoas delegam o pensamento crítico à tecnologia em vez de exercitá – lo por conta própria: “Quando você confia demais na ferramenta para pensar por você, acaba atrofia suas capacidades cognitivas”, explica.

No contexto escolar e familiar, ele defende a necessidade de estabelecer regras claras sobre o uso da IA entre estudantes e tutores. Compreender essa tecnologia é fundamental para pais e professores: “Hoje em dia é praticamente impossível proibir seu uso; portanto, todos devem aprender sobre suas funcionalidades”, afirma Manfrin.

A Ética no Uso da Inteligência Artificial

A ética no uso da inteligência artificial vai além do simples cumprimento de códigos de conduta; trata – se principalmente da transparência no seu uso. “Esconder práticas inadequadas transforma ajuda em fraude”, adverte o especialista. Uma boa prática recomendada por ele é tentar reescrever ou explicar as respostas recebidas com outras palavras: “Se você consegue reformular algo usando seu próprio raciocínio, significa que realmente entendeu; caso contrário, pode estar apenas copiando informação sem assimilá – la.”

No futuro do aprendizado, Manfrin acredita que será cada vez mais importante não apenas acumular informações, mas saber formular perguntas adequadas e interpretar respostas efetivamente. As habilidades indispensáveis continuarão sendo aquelas que as máquinas não conseguem replicar sozinhas: pensamento crítico para discernir entre verdades e ilusões, capacidade de checar fontes com precisão e criatividade para conectar ideias diversas. “A inteligência artificial não substitui quem pensa; ela revela quem parou de pensar”, conclui Fernando Manfrin.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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