Colheita de milho avança no Brasil e clima nos EUA começa a influenciar preços internacionais

O clima nos EUA se torna um fator decisivo para os preços internacionais do milho, enquanto a colheita avança no Brasil com boas expectativas de produção.

24/07/2026 05:20

4 min

Milho
Milho

A colheita da segunda safra de milho no Brasil avança rapidamente nas principais regiões produtoras, indicando uma produção robusta para o ciclo 2025/26. Com a oferta brasileira praticamente definida, o foco do mercado começa a se voltar para o clima nos Estados Unidos, onde a fase de polinização das lavouras será crucial para os preços internacionais do cereal nas próximas semanas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No Paraná, 29% dos 2,91 milhões de hectares cultivados já foram colhidos. De acordo com o Deral (Departamento de Economia Rural), 81% das lavouras ainda em campo apresentam boas condições. Enquanto isso, 13% estão em situação regular e apenas 6% são consideradas ruins.

A previsão é de que a colheita atinja 17,6 milhões de toneladas, com uma produtividade média superior a 6 toneladas por hectare.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Expectativas e condições climáticas

Edmar Gervásio, analista do Deral, aponta que o ritmo da colheita pode desacelerar temporariamente devido às chuvas esperadas para esta semana. No entanto, ele acredita que as operações devem ser retomadas rapidamente. “A previsão de tempo indica chuvas nesta semana nas principais regiões produtoras, mas o sol deve retornar no final de semana, intensificando os trabalhos de colheita”, afirmou.

Além disso, Gervásio destaca que os custos da safra atual estão ligeiramente inferiores aos do ciclo anterior, o que deve melhorar os resultados econômicos dos produtores. Em Mato Grosso, maior produtor nacional de milho, a área cultivada está praticamente em linha com o mesmo período do ano passado, embora um pouco abaixo da média dos últimos cinco anos devido a condições climáticas atípicas.

Cleiton Gauer, superintendente do Imea (Instituto Mato – grossense de Economia Agropecuária), explica que o atraso na colheita foi causado pelas chuvas fora de época e pelo frio registrado nas últimas semanas. Apesar disso, ele afirma que isso não compromete o potencial produtivo da safra. “Nada que venha a preocupar.

A safra já está caminhando para a reta final e o produtor tem conseguido avançar na colheita”, afirmou.

Leia também

Sinais de alerta para o futuro

Mato Grosso deve alcançar um novo recorde de produtividade, estimado em 128,64 sacas por hectare. A área cultivada na região é de 7,4 milhões de hectares e a expectativa é colher uma quantidade elevada de toneladas, refletindo um crescimento de 2,9% em relação ao ciclo anterior.

No entanto, Gauer faz um alerta sobre os desafios do próximo ciclo agrícola. O aumento nos custos de produção — especialmente com sementes, fertilizantes e defensivos — já está influenciando o planejamento dos agricultores. “Os custos continuam subindo e isso já começa a pesar sobre a decisão do produtor para a próxima temporada”, disse.

Atualmente, a saca de milho é negociada por R 65,55 segundo o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea EsalqUSP). Na Bolsa de Chicago, o contrato futuro com vencimento em dezembro foi cotado a US 4,87 por bushel nesta quinta – feira (23.

Perspectivas internacionais

Com a safra brasileira quase concluída, as atenções do mercado internacional começam a se voltar para as lavouras nos Estados Unidos. A StoneX avalia que a combinação da safra recorde na América do Sul com um bom desenvolvimento das lavouras norte – americanas mantém o mercado abastecido e sustenta uma pressão sobre os preços no curto prazo.

A consultoria ressalta que as condições climáticas continuam sendo o principal fator de risco para o mercado global. Um possível impacto do El Niño sobre a produção chinesa poderia elevar as importações desse país e oferecer suporte às cotações internacionais.

No cenário mais amplo, dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostram que 59% das lavouras americanas já entraram na fase crítica da polinização e outros 13% iniciaram a formação dos grãos. As previsões climáticas indicam temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal em partes do Corn Belt nas próximas semanas.

Embora ainda não haja confirmação de perdas significativas nas lavouras americanas — onde 67% são classificadas como boas ou excelentes — esse cenário já impacta as negociações na Bolsa de Chicago. Segundo informações do USDA, investidores passaram a incluir um prêmio por risco climático nas cotações devido à incerteza sobre possíveis perdas produtivas nas próximas semanas.

Com os avanços na colheita brasileira e as safras norte – americanas entrando em sua fase decisiva, as condições climáticas nos Estados Unidos serão determinantes para os preços globais do milho no segundo semestre deste ano.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!