Câncer colorretal: pesquisa revela que 80% dos brasileiros ignoram sintomas e diagnóstico tardio
A pesquisa destaca a urgência de conscientização sobre os sintomas do câncer colorretal, especialmente com o aumento de casos entre jovens.
Uma pesquisa realizada pelo AC. Camargo Cancer Center, em parceria com a Nexus, revelou que 80% dos brasileiros consideram graves a presença de sangue nas fezes e alterações no funcionamento intestinal que persistem por mais de um mês. Esses sinais são indicativos do câncer colorretal, uma doença que preocupa especialistas.
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O levantamento também trouxe à tona um dado alarmante: quase metade dos entrevistados que notam sintomas diferentes não buscam ajuda médica.
Em entrevista ao Live CNN nesta segunda – feira (22), Maria Paula Curado, pesquisadora do AC. Camargo Cancer Center, ressaltou a importância de reconhecer sinais precoces da doença e procurar diagnóstico rapidamente. Ela detalhou que os sintomas do câncer colorretal podem ser classificados em dois grupos: iniciais e tardios. “O câncer de colo inicial, às vezes, tem só uma pequena mudança do ritmo intestinal”, explicou.
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Sinais de alerta para o câncer colorretal
Curado destacou que alterações na frequência intestinal, má digestão, mal – estar, emagrecimento e perda de apetite são sinais que devem ser levados a sério e merecem atenção médica imediata. “O importante não é esperar sair sangue nas fezes para ir ao médico. É antes disso”, enfatizou.
Os sintomas tardios incluem sangramento nas fezes ou fezes em formato de fita, indicando que o tumor já pode estar em estágio avançado. “Quando o câncer colorretal começa a dar sintomas, ele já está em fase mais avançada. É um tumor grande, de mais de dois centímetros”, esclareceu Curado.
Tumores nesse estágio demandam tratamentos mais complexos, como cirurgias extensas, quimioterapia e radioterapia.
Aumento dos casos entre jovens
A pesquisadora também chamou atenção para um fenômeno preocupante: o aumento no número de casos de câncer colorretal entre pessoas com menos de 49 anos. “Está havendo uma emergência de pacientes mais jovens com o câncer colorretal, e esse crescimento ainda não está claro o que está acontecendo”, afirmou Curado.
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A cantora Preta Gil é um exemplo dessa nova realidade; ela descobriu ter câncer colorretal aos 48 anos. Curado observou ainda que, enquanto há algum tempo os índices eram significativamente mais altos entre homens, hoje homens e mulheres apresentam taxas semelhantes da doença.
Uma bactéria chamada colibactina foi identificada como possivelmente relacionada ao surgimento desse tipo de câncer em indivíduos mais jovens devido a uma mutação no gene 88. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima cerca de 53 mil novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil, tornando essa doença a segunda com maior incidência entre os brasileiros.
A importância da informação responsável
Diante deste cenário alarmante, Curado enfatizou a necessidade de compartilhar informações sobre o câncer colorretal de maneira responsável e clara. “A gente tem que informar sem aterrorizar”, concluiu.