Brasileiros reconhecem sintomas graves do câncer colorretal, mas não buscam tratamento

A crescente conscientização sobre os sintomas do câncer colorretal destaca a necessidade urgente de campanhas de prevenção e acesso a tratamentos no Brasil.

23/07/2026 05:42

4 min

Pesquisadores ouviram mais de 2 mil pessoas em todo o país
Pesquisadores ouviram mais de 2 mil pessoas em todo o país

O câncer colorretal ainda é um tema distante do cotidiano da maioria dos brasileiros, mas uma pesquisa realizada pela AC. Camargo e pela Nexus revelou que oito em cada dez pessoas reconhecem a gravidade dos sintomas dessa doença. O estudo, intitulado “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, ouviu mais de 2 mil cidadãos em todo o país.

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Entre os dados coletados, 80% dos entrevistados identificam como graves sintomas como sangue nas fezes ou mudanças no funcionamento intestinal por mais de um mês. No entanto, essa preocupação não se traduz em proximidade com a doença: apenas 21% conhecem alguém que já enfrentou o câncer colorretal, sendo 15% parentes próximos e 6% amigos ou conhecidos.

A maioria, 75%, nunca teve contato com pacientes diagnosticados com essa condição.

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Dados alarmantes sobre a doença

A relevância do tema aumenta diante das estimativas recentes sobre o câncer colorretal no Brasil. Em fevereiro deste ano, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) projetou cerca de 53.810 novos casos anualmente para o triênio 2026-2028, colocando a doença como o segundo tipo de tumor mais comum entre os brasileiros.

Vale lembrar que essa é a mesma enfermidade que a atriz e apresentadora que faleceu em julho do ano passado enfrentou durante dois anos.

Dos 80% que reconhecem a gravidade de sintomas como sangue nas fezes ou alteração intestinal persistente, 42% consideram esses sinais “muito graves”. Essa percepção sobe para 44% entre aqueles que tiveram convivência próxima com a doença. Contudo, a associação entre esses sintomas e o câncer ainda não é totalmente firme: embora 67% concordem que esses sinais podem indicar a enfermidade, apenas 24% têm uma convicção forte sobre isso.

A maior parte dos entrevistados (43%) mostra uma concordância moderada.

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Reações frente aos sintomas

Um ponto interessante levantado pelo estudo diz respeito à diferença entre reconhecer os riscos e agir frente a eles. Entre os participantes que relataram ter notado sangue nas fezes, apenas 59% buscaram atendimento médico imediatamente. Uma parcela significativa (40%) não teve essa reação: 19% não fizeram nada e aguardaram o sintoma desaparecer; 10% postergaram a visita ao médico; 7% tentaram remédios caseiros ou alteraram sua dieta; 3% foram à farmácia em busca de medicação sem orientação profissional; e apenas 1% pesquisou na internet antes de procurar ajuda médica.

A busca imediata por diagnóstico tende a ser maior entre pessoas com melhores condições financeiras (86%), indivíduos acima dos 60 anos (72%) e moradores da região Sudeste (72%). As mulheres também se mostram mais proativas nesse aspecto: 63% delas buscam ajuda rapidamente, enquanto entre os homens esse número cai para 54%.

Por outro lado, no Norte Centro – Oeste, chega a impressionantes 43% o número daqueles que esperam o sintoma passar antes de tomar qualquer atitude.

Desconhecimento sobre exames preventivos

A pesquisa também apontou para um grande desconhecimento acerca das ferramentas de rastreamento precoce. Dois em cada três brasileiros (67%) nunca ouviram falar do exame “Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO), uma técnica simples que auxilia na identificação da doença antes do surgimento de sintomas evidentes.

Apenas 11% afirmaram já ter realizado esse exame, enquanto outros 21% conhecem o procedimento mas nunca o fizeram.

Esse desconhecimento é ainda mais acentuado entre os jovens de 16 a 24 anos (85%), além de ser superior à média entre os homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e aqueles que estudaram até o ensino fundamental (72%). No entanto, para quem teve ou conhece alguém diagnosticado com câncer colorretal, esse percentual cai para 56%, e as pessoas que realizaram o PSO quase triplicam: apenas 8% dos sem contato com a doença já fizeram o exame contra 21% daqueles que conhecem alguém afetado.

Diante do aumento no número de casos da doença no país, especialistas da AC. Camargo enfatizam a importância de não ignorar sinais como sangramento retal, alterações nos hábitos intestinais, dor abdominal persistente e perda inexplicável de peso.

Além disso, recomendam realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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