Ebola sem controle no Congo: OMS prioriza vacinas em desenvolvimento contra a cepa Bundibugyo

A OMS intensifica esforços para acelerar o desenvolvimento de vacinas contra a cepa Bundibugyo do Ebola, diante do aumento alarmante de casos e mortes no Congo.

22/07/2026 15:50

4 min

Virus Ebola
Virus Ebola

Autoridades de saúde ao redor do mundo estão se mobilizando rapidamente para encontrar opções médicas que possam ajudar a conter um surto de Ebola na República Democrática do Congo. Este surto está associado à cepa Bundibugyo do vírus, que não possui vacinas ou tratamentos aprovados, ao contrário da mais comum cepa Zaire.

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Até agora, o surto resultou em 2.473 casos confirmados e 999 mortes, conforme dados do governo local.

O vírus Ebola Bundibugyo (BDBV) apresenta uma taxa de mortalidade que pode chegar a 40%. Diante da gravidade da situação, um número limitado de vacinas e terapias experimentais está sendo avaliado. Além disso, as autoridades estão considerando a possibilidade de utilizar tratamentos existentes contra o Ebola para proteção, apesar de até o momento esses dados serem apoiados apenas por informações limitadas obtidas em estudos com animais.

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Vacinas em desenvolvimento

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou priorizar diversos medicamentos experimentais para tratar e prevenir a BDBV. A Universidade de Oxford começou em julho o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus Ebola Bundibugyo, testando sua segurança e resposta imunológica em 50 adultos saudáveis entre 18 e 55 anos.

Esta vacina utiliza a tecnologia ChAdOx 1, já aplicada na vacina contra COVID-19 desenvolvida pela Oxford Astra Zeneca. O Serum Institute of India (SII) produziu cerca de 620.000 doses da vacina experimental, aguardando testes adicionais e possível uso emergencial.

A OMS também destacou em maio uma vacina rVSV Bundibugyo de dose única como a candidata mais promissora para prevenir a BDBV. Desenvolvida pela Iniciativa Internacional para a Vacina contra a AIDS, essa vacina demonstrou benefícios em primatas não humanos em estudos realizados em 2023.

A CEPI (Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias) anunciou um financiamento inicial de até US 3,2 milhões para avançar no desenvolvimento dessa vacina.

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A empresa Moderna anunciou uma parceria com a CEPI para desenvolver sua própria vacina candidata baseada em mRNA contra o vírus Bundibugyo, recebendo um compromisso de até US 50 milhões para avançar com os testes clínicos iniciais. Já a Public Health Vaccines está criando uma vacina experimental derivada do rVSV semelhante à Ervebo da Merck, contando com um financiamento de US 1,9 milhão da CEPI para os primeiros testes clínicos.

Terapias experimentais

A OMS também recomendou um antivirais e terapias baseadas em anticorpos como parte do tratamento potencial do surto. O medicamento MBP134, desenvolvido pela Mapp Biopharmaceutical, é um anticorpo pan – ebola que está sendo testado no Congo. Um ensaio clínico começou recentemente recrutando pacientes para testar o MBP134 juntamente com o antiviral remdesivir da Gilead Sciences.

Além disso, o maftivimab da Regeneron Pharmaceuticals está sendo estudado como tratamento potencial pela OMS. Testes laboratoriais mostraram que este anticorpo é eficaz contra o BDBV. A Regeneron também doou 500 doses do Inmazeb à OMS, que podem ser utilizadas caso sejam necessárias durante o surto.

Por fim, o antiviral obeldesivir da Gilead está sendo considerado como uma opção pós – exposição para prevenir infecções por Ebola. Dados preliminares indicam que ele pode oferecer proteção significativa quando administrado após exposição ao vírus.

Testes diagnósticos disponíveis

A detecção rápida do vírus é crucial no combate ao surto. A Roche anunciou que desenvolveu um teste PCR específico para detectar o Ebola Bundibugyo e está trabalhando com autoridades locais para disponibilizá – lo nas áreas afetadas. Outra opção é o teste Bio Fire Global Fever Special Pathogens Panel, fabricado pela Bio Fire Defense, que pode detectar múltiplas espécies de Ebola.

Além desses testes, outras empresas estão aumentando suas capacidades de produção e avaliando as necessidades das autoridades locais na República Democrática do Congo. O teste RT – PCR desenvolvido pela Altona Diagnostics também está sendo utilizado na detecção do surto no país.

Em julho, foi autorizada a utilização emergencial pelo FDA dos EUA para um novo teste rápido de antígeno capaz de detectar todos os quatro vírus Ebola conhecidos por causarem doenças em humanos. Esse avanço promete auxiliar significativamente na resposta rápida ao surto atual.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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