Voepass trocava peças defeituosas de aeronaves por outras com problemas, diz Cenipa
Investigação revela que a Voepass trocava peças defeituosas de aeronaves, comprometendo a segurança e resultando em um acidente com 62 mortes em 2024.
A Voepass foi acusada de trocar peças defeituosas de aeronaves por outras que já apresentavam problemas, segundo o relatório final da investigação do Cenipa sobre o acidente do voo 2283, ocorrido em agosto de 2024. O desastre, que resultou na morte de 62 pessoas, revelou que a prática visava garantir a “continuidade temporária e excepcional do voo”.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Essa substituição permitia despachar aeronaves com componentes inoperantes, levando a um novo registro de pane no voo seguinte e possibilitando uma nova autorização com base na MEL (Minimum Equipment List), sem realizar a correção efetiva dos problemas.
Conforme o documento, essa conduta possibilitava que as aeronaves operassem em condições degradadas, desrespeitando os limites estabelecidos pela regulamentação vigente. O relatório detalha que o voo 2283 partiu de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos, em São Paulo, e caiu em Vinhedo no início da tarde do dia 9 de agosto de 2024.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Irregularidades nas manutenções
Outra constatação do relatório é que a Voepass simulava consertos para contornar normas de segurança aérea. A empresa utilizava aeronaves com problemas técnicos sem resolver as panes efetivamente, disfarçando sua gravidade e adiando sua resolução definitiva.
Embora esse modelo não configurasse violação direta às normas, foram identificadas situações onde os prazos da MEL expiravam durante a noite em bases secundárias. Em resposta a isso, realizavam – se testes operacionais que eram registrados no TLB (Technical Log Book) como se o sistema estivesse funcional.
No entanto, os voos subsequentes frequentemente apresentavam as mesmas falhas. Isso indicava que as panes persistiam e que os testes operacionais ou não restauravam a funcionalidade ou eram realizados apenas para cumprir formalidades. Assim, renovava – se sucessivamente o item MEL sem solucionar as falhas reais das aeronaves.
O relatório também apontou que o ATR-72 envolvido no acidente estava com o sistema anti – gelo inoperante. Esta condição era crítica, pois poderia resultar na formação de gelo durante o voo. O avião enfrentou severas condições climáticas enquanto realizava seu trajeto entre Cascavel e Guarulhos.
Leia também
Consequências do acidente
A queda do ATR-72 provocou uma série de consequências trágicas: 58 passageiros e quatro membros da tripulação perderam suas vidas quando a aeronave caiu em uma área residencial em Vinhedo devido ao acúmulo de gelo nas superfícies da fuselagem, comprometendo seu desempenho e levando à perda de controle.
A Voepass se manifestou sobre as conclusões do Cenipa através de uma nota oficial. A companhia ressaltou sua transparência nas investigações desde o início e expressou solidariedade às famílias das vítimas. No comunicado, enfatizou que nunca havia enfrentado um episódio tão difícil em suas três décadas de operação e reafirmou seu compromisso com altos padrões de segurança internacional.
A empresa destacou ainda que sua equipe era experiente e bem treinada, acumulando mais de 5.000 horas de voo sem registros prévios que comprometessem suas atuações. “Desde o início das apurações, a VOEPASS atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas”, finalizou a nota.