Tarifaço reduz em 39,6% exportações de vinho brasileiro para os EUA no primeiro semestre de 2026

No primeiro semestre de 2026, as exportações de vinho brasileiro para os Estados Unidos caíram significativamente, com um recuo de 39,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são da Comex Stat, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC.
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As vendas foram reduzidas de US750,9 mil para US 453,9 mil, o que representa uma diminuição de cerca de US 297 mil.
Esse declínio é atribuído à implementação de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que começaram a ser anunciadas em 2025 e foram ampliadas neste ano. O mercado norte – americano é considerado estratégico para as vinícolas brasileiras. É o maior importador de vinhos do mundo e oferece consumidores dispostos a pagar mais pela bebida.
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Além disso, é visto como uma vitrine importante para a consolidação do vinho nacional no exterior.
Impactos nas vinícolas brasileiras
A vinícola Salton também sentiu os efeitos desse novo cenário tarifário. De acordo com a empresa, os Estados Unidos já foram um dos principais mercados internacionais e ainda são um destino relevante, com presença em grandes redes varejistas como Total Wine, ABC Liquors e Fogo de Chão.
Para enfrentar o desafio atual, a Salton acelerou sua estratégia de diversificação internacional.
A empresa ampliou suas operações em mercados como China, Maldivas e países africanos, além das Filipinas. A vinícola também revisou suas rotas logísticas e implementou mecanismos de proteção cambial para manter sua competitividade no cenário global.
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Nos últimos seis anos, a Salton exportou mais de 6 milhões de garrafas.
Por outro lado, a Miolo Vinícola avalia que o momento exige cautela diante das dificuldades enfrentadas no mercado americano. A empresa reconhece que os Estados Unidos continuam sendo o maior importador mundial de vinhos e possuem elevado potencial de crescimento.
No entanto, as novas tarifas dificultam o planejamento a longo prazo.
Desafios do mercado norte – americano
Lucio Motta, Export Manager da Miolo Wine Group, destaca que a complexidade da estrutura de distribuição nos Estados Unidos — baseada no sistema dos “três níveis”, que envolve importadores, distribuidores e varejistas — torna o cenário ainda mais desafiador.
Além disso, o setor enfrenta uma retração global no consumo de vinhos.
O aumento das tarifas não somente força uma revisão nas políticas de preços das vinícolas brasileiras como também gera insegurança entre importadores e novos parceiros comerciais. Apesar dessas dificuldades, Motta informa que a Miolo continua investindo para consolidar sua marca no país e recentemente iniciou uma nova parceria de distribuição na Costa Oeste dos Estados Unidos.
A expansão está prevista para estados como Massachusetts, Nova York, Nova Jersey e Flórida. Contudo, as mudanças esperadas em 2026 exigirão novas negociações por parte das vinícolas brasileiras nos próximos meses.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



