Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros se torna tema central na disputa eleitoral de 2026

A nova tarifa imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deixou o âmbito técnico do comércio exterior e se transformou em um dos principais tópicos da disputa eleitoral no Brasil. Essa medida, resultado de uma investigação comercial que durou cerca de um ano, começou a ser explorada tanto pelo governo quanto pela oposição.
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A análise é de Iuri Pitta, âncora da CNN, em entrevista ao programa Foco Eleitoral.
O Palácio do Planalto aposta na narrativa de soberania nacional como uma estratégia para as eleições. Segundo especialistas, essa postura de enfrentamento ao governo norte – americano já havia sido identificada como um fator importante para a recuperação da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2025, quando seu governo registrava mais desaprovação do que aprovação. “Foi um dos pontos que mais deu popularidade a Lula desde que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos”, afirmou Iuri.
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A oposição e a tentativa de desvinculação
No campo oposicionista, o Partido Liberal (PL – RJ) busca se distanciar das consequências políticas do tarifaço, responsabilizando o governo federal pela falta de habilidade nas negociações comerciais que resultaram na sobretaxa dos produtos brasileiros.
Essa estratégia visa associar Lula a uma imagem de inépcia ou incompetência, evocando a narrativa utilizada nos Estados Unidos contra Joe Biden, antecessor de Trump, que não foi escolhido pelo Partido Democrata para concorrer às eleições de 2024.
Outros políticos como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) também se manifestaram logo após o anúncio feito pela Casa Branca. Eles criticaram tanto a postura do presidente Lula quanto a de Flávio Bolsonaro, tentando minimizar os impactos políticos do tarifaço e rejeitar a retórica de soberania nacional promovida pelo governo.
Expectativas para as eleições
A relação entre Brasil e Estados Unidos deverá ser central nos debates eleitorais até outubro. Independentemente do vencedor nas urnas, o próximo governante enfrentará ao menos dois anos sob a gestão de Donald Trump, além das incertezas relacionadas ao sucessor nas eleições americanas de 2028 — fatores que devem impactar diretamente as relações comerciais entre os dois países.
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O que se pode prever é que a retórica política em torno desse tema permanecerá acirrada. Com as tensões políticas elevadas e o cenário internacional incerto, tanto governo quanto oposição buscarão explorar cada movimento nesse tabuleiro complexo até as eleições.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



