Inadimplência entre produtores rurais brasileiros atinge 8,8% no primeiro trimestre de 2026

Cenário desafiador para o agronegócio brasileiro, com inadimplência crescente que reflete as dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores rurais.

17/07/2026 22:16

3 min

Além dos dados de inadimplência, a Serasa informou que o risco de crédito do setor aumentou no período.
Além dos dados de inadimplência, a Serasa informou que o risco d...

A inadimplência entre os produtores rurais brasileiros alcançou 8,8% no primeiro trimestre de 2026, marcando o maior índice registrado na série histórica da Serasa Experian. Esse número representa um aumento de 1,2 ponto percentual em comparação ao mesmo período do ano anterior e um crescimento de 0,6 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2025.

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No primeiro trimestre de 2025, a taxa de inadimplência era de 7,6%. Desde então, o indicador apresentou uma trajetória crescente, passando por 7,9%, 8,0% e 8,2%, até atingir os atuais 8,8%. Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, destacou que esse dado evidencia as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais na recuperação de sua saúde financeira.

Impactos econômicos no setor

Segundo Pimenta, mesmo com perspectivas mais otimistas para certos segmentos do agronegócio, os efeitos negativos de ciclos anteriores ainda persistem. Os altos custos operacionais e as oscilações nos preços continuam a afetar o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento dos agricultores. “Os desafios financeiros são significativos e ainda refletem nas contas dos produtores“, afirmou.

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A análise das taxas aponta que entre os diferentes perfis de produtores, aqueles sem informação de registro rural apresentam a maior inadimplência, com um índice de 11%. Em seguida estão os grandes proprietários rurais (9,9%), seguidos pelos médios (8,6%) e pequenos produtores (8,3%.

A faixa etária também influencia na inadimplência; o maior índice foi observado entre produtores com idade entre 30 e 39 anos (13,6%). Os jovens de 18 a 29 anos vêm logo atrás (12,4%), enquanto aqueles entre 40 e 49 anos apresentam um índice de 11,3%.

A partir dos 50 anos, as taxas começam a cair gradualmente.

Diferenças regionais na inadimplência

No contexto regional, o Norte do Brasil lidera com a maior taxa de inadimplência registrada em 13,2%, seguido pelo Nordeste (10,2%) e Centro – Oeste (10,1%). Por outro lado, Sul (6,2%) e Sudeste (7,3%) têm os índices mais baixos do país. Entre as unidades federativas analisadas, o Amapá se destaca com uma inadimplência alarmante de 21,2%, enquanto o Rio Grande do Sul apresenta a menor taxa com apenas 5,8%.

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Esse indicador considera dívidas vencidas há mais de 180 dias contraídas com empresas ligadas ao agronegócio. Essas dívidas incluem obrigações financeiras com instituições bancárias e fornecedores de insumos. Apenas dívidas entre R 1 mil e cinco anos em atraso são contabilizadas.

Indicadores adicionais sobre crédito rural

A Serasa também divulgou dados sobre o Agro Score — uma ferramenta que avalia o risco de crédito no setor rural. A pontuação média dessa análise caiu para 591 pontos no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período do ano passado, esse número era de 606 pontos.

Essa queda reflete uma percepção crescente sobre os riscos no setor agrícola.

O Agro Score utiliza inteligência artificial e técnicas avançadas para combinar informações financeiras e cadastrais relativas à atividade rural. Essa abordagem visa melhorar a avaliação do risco associado aos produtores rurais.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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