Tarifa de 25% dos EUA e guerra no Oriente Médio elevam fretes marítimos e complicam exportações

Aumento nos fretes marítimos e tarifas dos EUA complicam a competitividade das exportações brasileiras, impactando diretamente o setor agrícola.

03/08/2026 04:21

4 min

Porto de Qingdao, China
Porto de Qingdao, China

O mês de agosto começa com um cenário desafiador para a logística marítima, caracterizado por uma disputa acirrada, custos elevados e incertezas. Após o anúncio, há dez dias, da tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, os exportadores se deparam com uma menor disponibilidade de navios e uma reorganização das rotas internacionais, agravada pela guerra no Oriente Médio.

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Consultorias de logística internacionais apontam que os altos custos logísticos atuais resultam de três fatores principais: a guerra no Oriente Médio, a reorganização da frota mundial após as tarifas americanas e a gestão da capacidade pelos armadores.

Essa combinação explica a persistência dos fretes em patamares elevados, mesmo diante de uma leve acomodação nos índices globais.

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Impactos nas exportações brasileiras

A situação não afeta apenas as mercadorias diretamente atingidas pelas tarifas. Produtos como soja, milho, café, açúcar, algodão e carnes dependem do transporte marítimo para alcançar seus mercados consumidores. Com o aumento dos fretes ou a falta de espaço nos navios, o custo das operações sobe, reduzindo a competitividade das exportações brasileiras e complicando o planejamento logístico em plena temporada de embarques.

A tendência é que os fretes marítimos globais permaneçam acima dos US 4 mil para contêineres de 40 pés na rota da China, considerada um termômetro global para os custos logísticos. Especialistas apontam que esses custos influenciarão diretamente os fluxos das commodities e ampliarão os desafios enfrentados pela cadeia agrícola.

Segundo Jackson Campos, especialista em comércio exterior, a pressão sobre os fretes marítimos deve aumentar entre agosto e dezembro. Ele destaca que houve um crescimento expressivo nos fretes ao longo de 2026. “O frete marítimo da China saiu de cerca de US 1 mil por contêiner em janeiro para US 6 mil em julho, chegando até perto dos US 8 mil em alguns momentos”, afirmou Campos.

Esse aumento representa uma elevação de pelo menos 500% em apenas sete meses.

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A escassez de espaço nos navios

A rota chinesa é vista como referência no mercado global devido à sua intensa movimentação de contêineres. Quando os preços aumentam na Ásia, as companhias marítimas frequentemente redirecionam embarcações para essas rotas mais lucrativas. Isso resulta na diminuição da oferta em outras regiões e na pressão sobre os preços internacionalmente.

No Brasil, embora o valor do frete de exportação ainda não tenha subido drasticamente, a principal dificuldade agora é encontrar espaço nos navios. Campos ressalta que enquanto o frete se mantém relativamente estável, conseguir embarcar produtos está cada vez mais difícil.

Essa escassez não decorre apenas da corrida dos exportadores brasileiros para antecipar embarques aos Estados Unidos antes da implementação das tarifas. Segundo Campos, o curto prazo entre o anúncio das medidas e sua aplicação foi insuficiente para que as cargas chegassem ao destino antes da cobrança da sobretaxa.

Expectativas para o setor até novembro

A demanda por transporte para o mercado americano continua alta devido ao consumo intenso. Isso faz com que armadores realoquem seus navios que atendiam outras rotas ligadas ao Brasil, consequentemente diminuindo a oferta disponível e mantendo os preços elevados.

Dados do Índice Mundial de Contêineres Drewry mostram que mesmo com uma queda de 3% no índice global em 30 de julho — caindo para US 4.255 por contêiner — os preços ainda permanecem historicamente altos. A consultoria atribui essa estabilidade à desaceleração da demanda em algumas rotas e à gestão cuidadosa da capacidade pelas empresas marítimas, que cancelam viagens (“blank sailings”) para evitar uma queda acentuada nas tarifas.

O cenário atual também é influenciado pelas novas tarifas comerciais dos Estados Unidos e pelas tensões no Oriente Médio. Diversas empresas de navegação já anunciaram sobretaxas emergenciais sobre combustível a partir deste mês. A incerteza sobre o comércio global e os congestionamentos portuários continuam moldando o comportamento dos preços dos fretes.

A pressão do petróleo ainda impacta a formação dos preços; no entanto, seu efeito é considerado menor do que no início da crise. Campos explica que atualmente o que pesa mais são as reorganizações das rotas e a disponibilidade limitada de capacidade nos navios.

As consequências futuras

Até novembro, espera – se um aumento no consumo global — especialmente com as empresas do varejo se preparando para as importações relacionadas ao Black Friday e Natal — elevando ainda mais os custos para indústrias brasileiras. Apesar disso, uma vantagem temporária foi percebida: o Brasil conseguiu exportar mais do que consegue acomodar nos navios, gerando entrada significativa de dólares no país e contribuindo temporariamente para melhorar a balança comercial.

No entanto, enquanto as tarifas adicionais persistirem e a redistribuição mundial da frota seguir seu curso, os exportadores brasileiros enfrentarão uma logística cada vez mais cara e complexa. Eles terão que lidar com menor oferta de espaço nos navios e custos elevados para acessar os principais mercados consumidores.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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