Surdez e demência: especialistas alertam sobre relação que pode agravar o quadro cognitivo

A perda auditiva pode intensificar o isolamento social, acelerando o declínio cognitivo e ressaltando a importância da reabilitação auditiva na saúde mental.

Especialistas alertam que a dificuldade de ouvir contribui para o isolamento social e sobrecarrega o cérebro, antecipando o declínio cognitivo.

Especialistas afirmam que a dificuldade em identificar sons pode ser um dos principais fatores que contribuem para o avanço da demência. Essa relação é complexa e inicia – se com problemas de audição, que podem levar ao isolamento social e, posteriormente, ao declínio cognitivo.

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Estudos recentes reforçam a ideia de que a reabilitação auditiva é um caminho eficaz para retardar os sintomas de doenças neurodegenerativas, como a demência senil. A importância desse tipo de reabilitação se torna evidente à medida que os profissionais da saúde aprofundam suas pesquisas sobre as interações entre audição e funções cognitivas.

A relação entre audição e demência

O otorrinolaringologista Rubens Brito, professor da FMUSP, destaca que a perda da capacidade auditiva pode levar ao fechamento progressivo do indivíduo. Essa situação ocorre quando a pessoa deixa de participar ativamente de conversas e não percebem mais sons do cotidiano, como o canto dos pássaros ou o barulho da chuva.

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Com essa redução no estímulo sensorial e social, o risco de desenvolver problemas cognitivos aumenta significativamente.

Brito explica que o isolamento social é um dos gatilhos que acelera a deterioração cognitiva. A falta de interações sociais impede que os indivíduos exercitem suas capacidades cognitivas, resultando em um ciclo vicioso difícil de romper. Quanto menos uma pessoa interage socialmente, mais difícil se torna manter sua saúde mental e cognitiva.

A fonoaudióloga Paula Junqueira complementa essa visão ao afirmar que o processo auditivo acontece majoritariamente no cérebro. O ouvido capta sons e os transforma em sinais elétricos que são transmitidos ao cérebro para interpretação. Quando há dificuldades auditivas, o cérebro recebe informações incompletas, criando “buracos” na mensagem sonora.

Esse fenômeno exige um esforço cognitivo considerável por parte do indivíduo para preencher essas lacunas. Muitas vezes, as pessoas acabam dependendo da leitura labial para entender melhor o contexto das conversas. Esse desgaste constante pode levar à fadiga mental e à evitação de situações sociais, aumentando assim os riscos para a saúde mental e exacerbando problemas cognitivos.

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Prevenção e medidas recomendadas

Pesquisas apontam que melhorar a audição é um dos poucos fatores modificáveis que realmente podem impactar o retardamento da demência senil. O diagnóstico precoce é fundamental nesse cenário; além disso, a utilização de aparelhos auditivos ou outros métodos de reabilitação são considerados essenciais para preservar a cognição dos idosos.

Essas medidas não apenas ajudam na manutenção da capacidade auditiva, mas também promovem uma melhor qualidade de vida ao permitir que os idosos participem mais ativamente das suas comunidades e mantenham relacionamentos sociais saudáveis.

Com isso em mente, é crucial que políticas públicas priorizem acessibilidade em diagnósticos auditivos e ofereçam suporte aos idosos na busca por soluções eficazes para suas dificuldades auditivas. Investir na saúde auditiva significa também investir na saúde mental e cognitiva das futuras gerações.