Estudo revela que 70% dos casos de câncer de cabeça e pescoço no Brasil são diagnosticados

Cerca de 70% dos diagnósticos de câncer de cabeça e pescoço no Brasil ocorrem em estágios avançados.

27/07/2026 04:30

3 min

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cabeça e pescoço abrange tumores na cavidade oral, língua, faringe, laringe, tireoide, seios da face
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cabeç...

Um estudo recente revelou que mais de 70% dos casos de câncer de cabeça e pescoço no Brasil são diagnosticados em estágio avançado. Essa informação alarmante foi apresentada durante o Julho Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doença.

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A pesquisa, realizada pela MSD Brasil e publicada na revista científica “Oral Oncology Reports”, analisou dados de mais de 37 mil pacientes atendidos entre 2016 e 2018, incluindo informações do Sistema Único de Saúde (SUS) e de seis clínicas do Grupo Oncoclínicas.

O levantamento apontou que sete em cada dez pacientes já enfrentavam a doença em um estado avançado no momento do diagnóstico. Os dados ainda mostraram que a proporção de casos com metástase foi semelhante nos dois sistemas: 2,9% no SUS e 2,6% na rede privada.

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Diferenças entre os sistemas de saúde

A pesquisa também identificou variações no perfil da doença entre os pacientes atendidos nos dois setores. Nos atendimentos pelo SUS, a cavidade oral foi o local mais comum para os tumores, representando 37,1% dos casos. Em contrapartida, na rede privada, a orofaringe concentrou a maior parte dos diagnósticos, atingindo 42,5%, com um crescimento notável ao longo do período analisado.

Os pesquisadores sugerem que fatores relacionados aos determinantes sociais da saúde podem explicar algumas dessas diferenças. A menor frequência de consultas odontológicas e as condições inadequadas de higiene bucal estão ligadas a um aumento do risco de câncer na cavidade oral.

Além disso, o perfil dos pacientes variou entre os sistemas. Enquanto no SUS a idade média era de 61 anos, na rede privada chegava a cerca de 67 anos. Fatores de risco conhecidos para a doença foram mais prevalentes entre os atendidos pelo sistema público: 83,2% dos pacientes do SUS tinham histórico de tabagismo, em comparação com 64,2% na rede privada.

O consumo de álcool também se destacou, alcançando 74,6% no sistema público contra 50,3% no privado.

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Dados globais e recomendações

Em uma perspectiva global, o câncer de cabeça e pescoço de células escamosas foi o sétimo tipo mais comum em 2020, com aproximadamente 890 mil novos casos registrados e cerca de 450 mil mortes. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 17,2 mil novos casos desse tipo de câncer da cavidade oral por ano entre 2026 e 2028.

Diante desses resultados preocupantes, os autores do estudo destacam a urgência em fortalecer políticas públicas voltadas ao combate da doença. Medidas como o combate ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool são essenciais. Além disso, é necessário promover ações educativas em saúde que incentivem a higiene bucal e garantam acesso ao diagnóstico precoce.

A pesquisa conclui que essas iniciativas podem ajudar a diminuir as desigualdades no atendimento médico e melhorar o prognóstico para os pacientes diagnosticados com câncer de cabeça e pescoço.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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