Sofia Veloso e Baronesa do Gravatáí: Ícones Históricos em Porto Alegre

Ao caminhar pelas ruas de um bairro da capital gaúcha, o fotógrafo Rafael Rosa fez uma observação que despertou interesse: poucas mulheres tinham seus nomes homenageados nos logradouros urbanos.
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A pauta ganhou corpo semanas depois na rua Sofia Veloso— “Bingo”, como ele comentou ao encontrar finalmente mais um nome feminino em destaque nas vias do local. A realidade é complexa e revela números singulares para Porto Alegre; apesar dos quase nove mil quatrocentos cinquenta três endereços (ruas, avenidas etc.), apenas cerca de trezentos setenta e nove possuem denominações femininas registradas pela Câmara Municipal.
Baronessa: a história por trás da Rua Baronesa
No bairro estudado pelo fotógrafo Rosa há poucas semanas foi possível identificar que as homenagens são concentradas majoritariamente na Baronesa e também em Sofia Veloso. Essas duas mulheres representam figuras históricas importantes no século XIX para o local onde hoje se desenvolve grande parte do Centro Histórico e Cidade Baixa.
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A rua, com sua extensão entre Ipiranga até República, apresenta um cenário de aparente apatia aos olhos dos visitantes; calçadas precárias ou casas simples refletem uma arquitetura sem grandes inovações visíveis à primeira vista. No entanto, a área guarda raízes profundas da história gaúcha.
Do solar aristocrático ao loteamento urbano
Maria Emília de Menezes Pereira — conhecida como Baronesa— foi figura proeminente na sociedade porto – alegrense nos anos 1850 e era casada com João Batista da Silva Pereira, o futuro Barão do Gravataí. O casal recebeu títulos das mãos de Dom Pedro II em abril de 1823; ele se tornou rico através dos negócios no estaleiro que hoje fica onde é conhecido pelo Pão dos Pobres.
A família construiu um famoso Solar neste local (destruído por incêndio), mas a trajetória econômica mudou drasticamente após os eventos históricos regionais. Em meio à Revolução Farroupilha, as terras foram usadas como esconderijo para escravizados fugidos na região conhecida pelos moradores locais e historicamente ligada ao Quilombo Areal da Barra Funda. João Batista Pereira só recebeu o título oficial de Barão do Gravataí em 1852; contudo, sua morte súbita logo depois permitiu que imperador Dom Pedro II concedesse títulos honoríficos também à viúva.
A transformação das antigas propriedades
Com a passagem dos anos, Maria Emília precisou transformar suas vastas posses. Foi por isso que ela dividiu as terras para loteamentos no ano de 1879 e entregou oficialmente os terrenos à Câmara Municipal da cidade. Essa ação foi crucial: o uso comercial desse novo mapa consolidaria definitivamente seu nome na área do futuro bairro Cidade Baixa (conhecido como Arraial), onde hoje se localiza grande parte dessa rua histórica em Porto Alegre.
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Sofia Veloso: ativismo abolicionista pela caridade
Assim como a Baronesa, Sofia Veloso também era uma mulher oriunda de família com prestígio. Nascida no ano de 1856 e proprietária de muitas terras locais — possivelmente por herança —, ela ganhou notoriedade numa época restrita para as mulheres na sociedade gaúcha. Apesar do seu papel ativoela foi integrante do Centro Abolicionista da cidade (criado em 1883)—o nome feminino teve pouca visibilidade entre os líderes masculinos; sua contribuição social sempre esteve ligada à caridade.
Sofia realizou um grande ato comunitário ao doar parte de suas propriedades, que se tornaram o Asilo Padre Cacique. A instituição não é apenas uma fonte histórica: a Editora Coragem paga atualmente R 4,5 mil mensais por esta herança benemérita até hoje, mantendo viva essa ligação com Sofia Veloso e seu legado humanitário para Porto Alegre. O asilo foi fundado em 19 de junho de 1898 pelo padre Joaquim Cacique de Barros; ele dedicava – se desde cedo às obras assistenciais na cidade.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



