Porto Alegre inaugura Monumento a Dandara dos Palmares em Santa Tereza

Porto Alegre homenageia Dandara dos Palmares com monumento que celebra resistência quilombola e legado histórico da luta contra a escravidão.

28/07/2026 18:11

4 min

Dandara dos Palmares (1654-1694) foi uma guerreira e liderança central do Quilombo dos Palmares, destacando-se por liderar táticas de defesa militar, rejeitar acordos parciais de paz que mantinham a escravidão e simbolizar a resistência feminina negra
Dandara dos Palmares (1654-1694) foi uma guerreira e liderança c...

A comunidade quilombola e o município de Porto Alegre inauguram neste sábado, dia 1º/08, um novo marco histórico: o Monumento a Dandara dos Palmares. A obra celebra uma das figuras mais emblemáticas da resistência brasileira — Dendara foi guerreira nos tempos coloniais que desafiou diretamente o Império Português.

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O monumento está instalado no canteiro central da avenida Divisa, em frente ao número 2199, bairro Santa Tereza. Trata – se de uma peça pública artística com sete metros de altura, construída em aço corten – material conhecido por sua alta durabilidade e aparência oxidada (ferrugem), incorporando elementos como cobre, níquel, crômo e fósforo.

A Lenda Negra: Quem era Dandara dos Palmares?

Dandara dos Palmares viveu entre os anos de 1654 e 1694. Ela foi líder militar fundamental no Quilombo dos Palmares, destacando seu papel na defesa do quilombo contra as forças coloniais escravistas. Seu legado simboliza a força da resistência feminina negra ao rejeitar acordos que mantinham o cativeiro ou formas parciais de paz com mestres senhores.

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Embora não haja certeza sobre se ela nasceu em território brasileiro ou africano continente, é sabido que Dendara juntou – se desde menina às pessoas negras unidas pelo desafio radical ao sistema colonial esclavista por quase um século inteiro. Dandara teve quatro filhos: Motumbo, Acaiuba Zambi, Aristogíton dos Palmares e Harmódio dos Palmares; além disso, foi casada com Zumbi dos Palmares.

Projeto Território de Dandaras na Cultura Gaúcha

A criação do monumento gaúcho reuniu oito artistas talentosos para a obra monumental: Adriana Xaplin, Jeanice Dias Ramos, Paulo Corrêa, Rafael do Nascimento Garcia, Ricardo Cardoso, Sabrina Stephanou, Tiago Gonçalves e Vinicius Vieira foram os responsáveis pela homenagem artística.

Essa ação faz parte integral do projeto chamado “Território de Dandaras”, iniciativa financiada pelo Estado por meio do Edital 23/2024. O ateliê responsável foi o escultor arquiteto urbanista Vinicius Vieira.

Durante o evento inaugural será realizada também uma premiação especial em tributo à líder negra da comunidade afro – brasileira no RS — concedendo o Prêmio Dandara dos Palmares a mulheres como Izis Abreu, Jéssica Cardoso, Lore Abrão, Mara Núbia de Oliveira, Malvina Beatriz Souza, Maria Cristina Santos e Rainha Ginga Francisca Dias.

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A organização deste monumento e desta cerimônia conta com apoio institucional significativo: Stephanou Cultural realiza os eventos junto ao Instituto Estadual de Artes Visuais (IEAVi), Organização de Mulheres Negras Maria Mulher, Associação dos Escultores do Rio Grande do Sul (AEERGS) e outras entidades locais.

Resistência Negra em Porto Alegre e no Brasil

O termo “Território de Dandaras” refere – se a espaços que representam luta, moradia ou resistência inspirados na guerreira. Ele remete tanto às ocupações urbanas quanto aos projetos culturais focando o protagonismo feminino negro, ancestralidade e direito à terra.

Homenageá – la é um ato simbólico da força estratégica contra qualquer acordo desumano para as minorias étnicas negras.

A trajetória histórica também ecoa hoje: há movimentos como Ocupação Dandara em Belo Horizonte (MG), fundada desde 2009 por mais de mil famílias buscando uma vida digna no local desejado. Em Porto Alegre especificamente, a Marcha Independente Zumbi e Dandara mantém tradição anual já faz mais de duas décadas; este evento político cultural ocorre sempre durante novembro.

O Legado Histórico dos Líderes Quilombolas. Dandara foi capturada na data específica de 6 de fevereiro de 1694 ano. Para evitar o retorno à condição escravista após sua captura em Palmares, ela cometeu suicídio, consolidando seu nome como um ícone máximo da luta contra qualquer forma de cativeiro.

Seu feito está registrado no Livro dos Heróis da Pátria.

Seus companheiros históricos foram Zumbi e Ganga Zumba; este último líder do maior quilombo colonial ocupava uma área próxima ao tamanho total de Portugal (cerca de 92 mil nove artigos quadrados). O reinado durou entre os anos de 1680 a 1695.

Zumbi ou Francisco Zumbi nasceu na Serra da Barriga em Pernambuco nos moldes coloniais até falecer o dia 20 de novembro de 1695, tendo morrido mais tarde por volta das atuais Viçosa Alagoas. A palavra zambi vem diretamente do termo zumbe no idioma quimbundo africano e significa fantasma; espectro — alma daqueles que morreram. O governador Caetano de Melo e Castro foi quem escreveu ao rei português declarações históricas como: “Determinei que pusessem sua cabeça em um poste… para atemorizar os negros”.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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