Sobe para 72 o número de mortos na crise de migrantes na fronteira de Ceuta

A crise migratória em Ceuta gera preocupação na União Europeia, com autoridades enfrentando desafios para restabelecer a normalidade após tragédias recentes.

02/08/2026 15:20

3 min

Atravessamentos em massa de migrantes, a pé e por mar, de Marrocos para o território espanhol, em Ceuta
Atravessamentos em massa de migrantes, a pé e por mar, de Marroc...

O número de mortos na confusão causada pela migração em massa na fronteira de Ceuta, território espanhol no norte da África, subiu para pelo menos 72 neste domingo (2). As autoridades confirmaram que cinco corpos foram encontrados ao longo da costa de Ceuta desde a última quinta – feira (30), quando um fluxo sem precedentes de pessoas começou a cruzar a fronteira entre Marrocos e a Espanha.

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A situação alarmou toda a União Europeia, uma vez que mais de 48 mil migrantes voltaram a Marrocos em apenas 48 horas. No fim de semana, essa cifra aumentou ainda mais. Miguel Ángel Pérez, representante do governo espanhol em Ceuta, informou que mais de mil pessoas foram atendidas pelos serviços de saúde desde o início da crise.

Embora ele tenha afirmado que as condições na cidade melhoraram consideravelmente, alertou que ainda há muito a ser feito para restabelecer a normalidade.

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Condições críticas e apelos emocionais

A tragédia se intensificou com relatos de afogamentos e pessoas esmagadas ao tentar escalar o quebra – mar e as cercas da fronteira.

Karima Abenaz, uma cidadã francesa em Ceuta com familiares no Marrocos, expressou sua dor: “Dói – me profundamente que jovens estejam morrendo no mar. Não é justo que, em 2026, mulheres com crianças de apenas dois meses estejam atravessando o mar apenas para morrer”, disse ela, aos prantos.

“Em Marrocos, há comida, há tudo o que precisamos”, continuou Abenaz. “Se não tivermos um emprego decente, devemos entrar em greve e exigir nossos direitos do governo. Não deveríamos estar morrendo no mar; isso não está certo.”

Medidas e reações internacionais

Juan Jesús Vivas, líder de Ceuta, revelou ao jornal El País que o necrotério local recebeu 88 cadáveres até agora, incluindo vítimas de tentativas anteriores de travessia. Ele também mencionou que as autoridades marroquinas estavam recuperando corpos do mar, embora não houvesse informações oficiais sobre esses esforços.

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Para lidar com a situação crítica, as autoridades espanholas reforçaram as patrulhas policiais e militares na região. No sábado, instalaram uma nova estrutura ao largo de Ceuta. Em resposta ao incidente, 22 Estados – membros da União Europeia escreveram uma carta pedindo uma ação coordenada para proteger as fronteiras externas da Europa e outras medidas preventivas.

A Itália decidiu suspender por um mês o acordo de livre circulação de pessoas com a Espanha dentro do Espaço Schengen como parte das reações ao ocorrido. Por outro lado, a Espanha tem adotado uma postura relativamente mais aberta em relação aos migrantes comparada à maioria dos países da UE.

O governo espanhol introduziu um programa para conceder residência a mais de meio milhão de imigrantes sem documentos.

No entanto, as autoridades negaram que esse programa tenha incentivado a entrada descontrolada em Ceuta, afirmando que aqueles que cruzaram irregularmente não podem viajar para o restante da Espanha ou para outros países na área Schengen.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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