Reatores Eletroquímicos Removem Corantes Têxteis com Eficiência

Reatores eletroquímicos removem eficientemente poluentes têxteis com tecnologia inovadora e impacto ambiental reduzido.

Tecnologia poderá ser usada na retirada de poluentes da água

Pesquisadores do Centro Científico e Educacional da Universidade Estatal do Sul dos Urais desenvolveram um novo sistema para tratar águas industriais: é um reator eletroquímico que remove corantes têxteis persistentes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O equipamento foi criado por uma equipe internacional parceira da TV BRICS com foco na decomposição dessas moléculas coloridas encontradas no meio ambiente, substâncias capazes de causar danos significativos aos organismos aquáticos.

Como funciona a remoção química

Os cientistas propuseram utilizar corrente elétrica como método principal. Nesse processo inovador, o fluxo contínuo permite que a água passe pelo interior do reator enquanto partículas ativas se formam em superfícies especiais dos eletrodos e desmantelam as estruturas moleculares do corante presente nela.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“A grande diferença é justamente esse formato de fluxo constante”, explicou Vladislav Fadeev, pesquisadora da instituição responsável pela descoberta. “Assim, não estamos tratando apenas um líquido parado num laboratório; ele circula por todo o sistema.”

Essa característica aproxima muito mais essa tecnologia das condições reais encontradas no tratamento de grandes volumes de esgoto industrial contaminado.

Detalhes técnicos para aumentar a eficiência

Para garantir seu funcionamento eficaz, os cientistas empregaram eletrodos compostos por múltiplas camadas e modificaram uma dessas partes ativas com hólmio, que pertence ao grupo dos elementos terras raras. A inclusão desse material específico ajudou tanto em elevar drasticamente a capacidade do reator quanto na manutenção da sua atividade mesmo após vários ciclos sucessivos de uso nos testes laboratoriais.

Resultados iniciais promissoras. Em avaliações realizadas no laboratório usando o corante Reactive Black 5 — um tipo comum usado na coloração de tecidos —, foi possível observar resultados muito positivos: toda a tonalidade desapareceu completamente somente dentro de noventa minutos.

Leia também

Além disso, os pesquisadores testaram por quinze vezes seguidas e notaram que a eficiência geral do sistema permaneceu praticamente inalterada ao longo dos tratamentos. O próprio Reactice Black 5 é conhecido pela sua forte aderência às fibras têxteis da indústria, mas essa característica gera problemas nos efluentes:

O descarte desses resíduos altera drasticamente a cor natural das águas, dificulta o processo de passagem luminosa em rios ou lagos naturais e pode prejudicar seriamente qualquer vida aquática localizada no ambiente contaminado.

Próximas etapas para aplicação real

Atualmente, os métodos convencionais usados hoje — como filtros tradicionais, materiais adsorventes específicos, ozônio químico ou tecnologias baseadas em membranas— apresentam diversas limitações. Alguns exigem um alto consumo energético constante; outros dependem da substituição frequente por novos componentes caríssimos do tipo filtro;

Outros ainda demandam uma manutenção complexa dos equipamentos após a operação química inicial terminar.”

A tecnologia desenvolvida tem potencial de ser adaptada e utilizada na criação de sistemas compactos voltados à remoção eficiente desses poluentes orgânicos persistantes das fontes hídricas.

O próximo passo planejado pelos pesquisadores é testar o reator utilizando efetivamente esgoto real, buscando otimizar cada detalhe estrutural para garantir sua aplicação em larga escala no futuro imediato.