Professor afirma que Irã pode ser mais resiliente em conflito prolongado do que EUA

Zahreddine alerta que a escalada militar dos EUA pode fortalecer a resiliência do Irã, criando um ciclo de tensão sem ganhos políticos para Washington.

25/07/2026 00:15

2 min

Homem segura bandeira iraniana perto de outdoor anti-EUA representando o presidente dos EUA, Donald Trump, e o Estreito de Ormuz, em Teerã, Irã, em 30 de maio de 2026
Homem segura bandeira iraniana perto de outdoor anti-EUA represe...

A escalada militar dos Estados Unidos em relação ao Irã pode não trazer os resultados políticos esperados pela política externa americana. Essa avaliação é de Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC – Minas, que conversou com a WW sobre o assunto.

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Ele aponta que a estratégia de pressão militar adotada pelos americanos apresenta riscos sérios e pode resultar em um impasse perigoso.

Zahreddine argumenta que os Estados Unidos acreditam que pressionar militarmente o Irã trará vantagens nas negociações, mas ele questiona essa lógica. “O maior erro dos americanos, na minha opinião, é acreditar que esse tipo de tática pode gerar algum tipo de ganho político real”, afirmou o especialista.

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Dinâmica do conflito e resiliência iraniana

Segundo o professor, a situação reflete uma dinâmica em que ambas as partes acreditam estar mais próximas de seus objetivos à medida que intensificam os ataques, sem perceberem o abismo que se aproxima. Zahreddine destaca que o Irã é um país com mais de 90 milhões de habitantes e um governo que se mantém firme frente à pressão externa.

Ele observa ainda que, paradoxalmente, a guerra tem promovido uma unidade interna no país persa. “Para os iranianos, com toda a destruição e pressão, esta guerra, de alguma forma, tem criado unidade interna dentro daquele país”, destacou Zahreddine.

Na análise do professor, cada nova etapa da escalada militar imposta pelos Estados Unidos leva os iranianos a responderem com uma nova escalada. Ele menciona o Estreito de Bab el – Mandeb — conhecido como “portal das lágrimas” — como um elemento que os iranianos podem usar nesse processo.

Essa dinâmica tende a alimentar um ciclo crescente de tensão, sem produzir resultados concretos para os Estados Unidos.

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Perspectivas futuras

Zahreddine conclui ressaltando a gravidade do momento atual. Segundo ele, o Irã possui muito mais condições de resistir em um conflito prolongado do que os Estados Unidos. “O país persa tem muito mais condição de resiliência num conflito prolongado do que os americanos, que vão ser pressionados pelo sistema mundial e pela oscilação do preço do petróleo”, afirmou.

Além disso, Zahreddine acrescenta que os iranianos não aceitarão qualquer acordo, preferindo não firmar nenhum pacto a aceitar um acordo desfavorável. A análise sugere que a continuidade da pressão militar pode levar a consequências indesejadas para a política externa americana.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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