Irã envia comandantes e mísseis para Houthis no Iémen em meio a tensões regionais

O Irã está enviando comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica, além de equipamentos militares, que incluem componentes para mísseis e drones, e até mesmo ouro para os Houthis no Iémen. A informação foi divulgada pela agência Reuters e confirmada por duas fontes iranianas e duas fontes iemenitas.
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Essa movimentação acontece em um momento de crescente tensão na região, especialmente após a Arábia Saudita anunciar ataques contra alvos dos Houthis em retaliação a disparos contra navios no Mar Vermelho.
Recentemente, a imprensa saudita noticiou que um navio foi atingido durante essa escalada. Lourival Sant Anna, analista de Internacional da CNN, ressaltou os antecedentes desse conflito. No dia 14 de junho, um avião iraniano tentou pousar em Sanaa, capital do Iémen, levando líderes dos Houthis que haviam participado de funerais no Irã.
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Esse voo foi atacado por projéteis lançados pela Arábia Saudita durante a tentativa de pouso e precisou desviar para Hodeida, aeroporto sob controle dos Houthis.
Retaliações e impacto regional
Tres dias após o ataque ao avião iraniano, os Houthis retaliaram com um ataque a um aeroporto no sul da Arábia Saudita. Eles também declararam que iriam atacar embarcações que utilizam a rota do Mar Vermelho. Essa rota é crucial para o escoamento de até 7 milhões de barris de petróleo por dia através de um oleoduto leste – oeste que cruza a península arábica.
Os ataques aos petroleiros sauditas têm forçado diversas embarcações a contornar esse trajeto, fazendo uma longa viagem pelo Canal de Suez até o Cabo da Boa Esperança — aumentando em 10 a 15 dias e cerca de 6 mil quilômetros a jornada.
Apesar de os Houthis não estarem bloqueando completamente o Estreito de Bab el – Mandeb, os ataques direcionados aos cargueiros sauditas já estão gerando insegurança suficiente para elevar os custos de seguro e provocar nervosismo entre os operadores do setor marítimo.
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Estrategias iranianas e insatisfação interna
O analista Lourival Sant Anna também destacou que o avião iraniano não só transportava líderes dos Houthis como também peças e componentes para mísseis e drones, além de técnicos encarregados da montagem desses equipamentos. “Isso ilustra claramente qual é a estratégia do Irã”, afirmou Sant Anna, descrevendo as ações como uma “escalada horizontal” promovida por Teerã através de seus grupos aliados na região.
A movimentação do Irã inclui o envio de ouro aos Houthis, algo que gera descontentamento entre a população iraniana diante da grave crise econômica enfrentada pelo país, que tem dificuldades em exportar petróleo livremente. O Irã mantém grupos armados aliados na Palestina, no Iémen e no Líbano.
No contexto do Iémen, Sant Anna lembrou que o conflito entre os Houthis e as forças armadas iemenitas — apoiadas pela Arábia Saudita — se arrasta desde 2015 e que uma trégua de quatro anos foi rompida com os recentes ataques.
A Organização das Nações Unidas (ONU), antes do início da guerra na Ucrânia, considerava o conflito iemenita como a maior tragédia humanitária em curso no mundo.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



