Prefeitura lança edital com R102 milhões para gestão escolar

Ricardo Nunes anuncia edital com R102 milhões para gestão escolar municipal sob nova estratégia.

Sala de aula da rede municipal de ensino de São Paulo

A gestão de Ricardo Nunes na Prefeitura de São Paulo deu um passo que gerou grande polêmica nesta semana: o lançamento do processo para selecionar ONGs responsáveis pela administração das escolas municipais.

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Na última quarta – feira (15), foi publicada oficialmente pelo setor da Secretaria Municipal de Educação (SME) — sob comando de Fernando Padula — uma nova chamada pública com Edital 03/SME/2026. O edital visa estabelecer a parceria total, em modelo conhecido como “porteira fechada”, entre as instituições e três novas unidades escolares localizadas nas zonas sul e norte da capital paulista.

Detalhes do Chamamento Público que envolve R 102 milhões

O projeto desenhado pela Prefeitura prevê entregar à iniciativa privada não apenas o aspecto pedagógico das escolas, mas também toda gestão administrativa e infraestrutura por um prazo inicial fixo de cinco anos; esse período é passível de prorrogação.

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As futuras parceiras serão responsáveis pelas Unidades Municipais Emef (Ensino Fundamental) nº 1 no Parelheiros — na Rua Manoel da Costa Capanema —, a emef 2 localizada no Jardim Bandeirantes Pedreira ou ainda a terceira unidade empreendida pelo Jaraguá.

Neste modelo contratual proposto, as entidades privadas receberão repasses que somam uma estimativa total de R 102,8 milhões ao longo dos nămos do contrato. Além disso, o edital exige dessas organizações não apenas gerenciar os recursos financeiros e pedagógicos, mas também realizar diretamente sob regime CLT toda contratação: desde corpo docente até equipes administrativas e operacionais.

A justificativa legal para essa movimentação é questionada por críticos porque ela parece burlar exigências constitucionais sobre como devem ser aplicados em rede pública direta justamente através da folha salarial concursada.

Reações Jurídicas e Sindicais Contra a Privatização

O anúncio provocou uma reação imediata das categorias de educadores na cidade. Para Claudete Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Infantil (Sedin), o movimento representa um risco grave que configura “privatização total da educação”.

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Em resposta ao edital, as co – vereadoras Silvia Ferraro, Letícia Lé Oliveira, Dafne Sena Coutinho Ribeiro, Nathalia Santana Pereira e Nayara — representando mandato coletivo— protocolaram rapidamente no Foro Central São Paulo nova Ação Popular com pedido liminar.

A ação busca suspender integralmente a publicação por alegar flagrante ilegalidade constitucional contra os termos estabelecidos pelo chamamento público. Os educadores também apontam desvios na gestão financeira dos recursos públicos.

O Debate sobre o Uso de Recursos Públicos

As críticas vão além da questão do lucro das entidades parceiras; há questionamentos diretos à legalidade administrativa feita pela SME em relação aos fundos escolares. Claudete Alves, líder sindical, destacou que é considerado um uso indevido incluir verba destinada ao pagamento de alimentação escolar no cálculo percentual obrigatório para educação.

Segundo ela e outros sindicatos envolvidos — como a Coeduc —, esse recurso deveria ser investido diretamente na valorização real do magistério municipal paulistano.

A Bancada Feminista do Psol reforçou essa preocupação nos autos processuais: o dinheiro não está apenas indo parar dentro da escola pública, mas também sendo desviado “para o bolso do particular”, pois os recursos são direcionados à iniciativa privada por meio dos contratos.

Essa denúncia sobre desvio financeiro mostra uma mudança clara tanto jurídica quanto política adotada pela administração Nunes neste ano de 2026.

Conflitos Anteriores e Defesa Governamental

O edital publicado nesta quarta – feira contradiz a versão oficial que havia sido apresentada anteriormente pelo próprio órgão municipal em um processo judicial iniciado ainda no primeiro semestre deste ano. Em maio de 2025 — quando houve anúncios preliminares —, foi negacionado publicamente qualquer projeto ou estudo voltado para privatizar escolas municipais, sendo o assunto tratado como mera especulação.

A prefeitura então classificou as ações da oposição apenas como “exercício de futurologia”.

No entanto, com atos administrativos concretos agora publicados na forma do Edital nº 03/SME/2026, essa defesa anterior perde força e a tramitação legal se torna urgente.

O Argumento em Defesa: Ampliação no Liceu Coração de Jesus

Para sustentar seu modelo chamamento público, Ricardo Nunes (MDB) e Fernando Padula defendem que não estão iniciando uma experiência inédita; pelo contrário, estariam ampliando um tipo de parceria já testada há quatro anos. O exemplo citado é o Emei Emef Liceu Coração de Jesus.

Segundo os representantes da prefeitura, nesse local houve desempenho escolar acima do padrão médio municipal tanto para Português quanto Matemática na gestão compartilhada com a OSC parceira desde 2023.

Por outro lado, essa defesa encontra forte resistência: as parlamentares apontam justamente esse convênio no Licéu como objeto investigado por órgãos fiscalizadores ligados ao Ministério Público e questionamento sobre legalidade pedagógica em favor do setor privado.

A luta pela rede pública paulistana segue intensa nas ruas e nos tribunais jurídicos contra qualquer avanço que terceirize o ensino básico direto pelo município de São Paulo.