Parada Orgulho Macumbeiro em SP: Debate sobre Direitos e Resistência

Parada Orgulho Macumbeiro em SP: Debate sobre direitos e resistência fortalece luta contra o racismo religioso e violência contra mulheres negras.

28/07/2026 18:32

4 min

No dia 31 de maio de 2026, São Paulo recebeu a 1ª Parada do Orgulho Macumbeiro
No dia 31 de maio de 2026, São Paulo recebeu a 1ª Parada do Orgu...

A Parada do Orgulho Macumbeiro realizou no dia 31 de maio de 2026 um importante debate sobre direitos e resistência na cidade de São Paulo.

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Idealizada por Mãe Su de Nanã, o evento não foi apenas uma celebração da fé afro – brasileira, mas sim uma afirmação pública que busca fortalecer os povos tradicionais africanos contra o racismo religioso e a violência estrutural enfrentados pelas mulheres negras.

Terreiros como espaços vitais para memória e cuidado

O movimento começou com atividades em locais simbólicos. Na Câmara Municipal de São Paulo ocorreu tanto o Colo Ancestral quanto o primeiro encontro das Iyás — mães de santo ou lideranças do axé —, um espaço voltado ao acolhimento coletivo dessas líderes comunitárias.

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As organizadoras ressaltaram na ocasião que as Iyas sustentam redes não apenas religiosas, mas também laços profundos de cuidado mútuo e resistência cultural entre suas comunidades. O diálogo sobre autoestima e autocuidado reafirmou a importância desses encontros onde é possível compartilhar vivências espirituais sem julgamentos externas.

Além disso, foi colocado no centro da discussão localmente vivido tema urgente: os casos de feminicídio contra mulheres negras em São Paulo. Diante dessa realidade complexa, o evento reforçou como os terreiros devem ser vistos além dos espaços puramente religiosos; eles são territórios cruciais para escuta ativa e construção coletiva dessas redes solidárias.

A trajetória simbólica na luta por direitos

O percurso escolhido pela Parada do Orgulho Macumbeiro também carrega um significado histórico profundo sobre a resistência negra paulistana. A concentração nas Escadarias do Theatro Municipal simboliza historicidade associada às elites da cidade, mas dali se deu uma caminhada até a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos no Largo do Paissandu.

Essa rota não é aleatória: enquanto o Teatro representa determinado projeto urbano de São Paulo há séculos, a igreja em questão marca desde sempre grande presença e resiliência para a população preta na capital brasileira. Sua permanência conta histórias daqueles que lutaram contra as tentativas constantes de apagamento cultural nesse centro expandido.

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Memória viva através das narrativas

A força desse simbolismo foi evidenciada pelo relato emocionante compartilhado por Mãe Sarah, Rainha Conga da cidade. Ela conectou sua própria trajetória familiar à história religiosa local ao contar como os negros eram acolhidos independentemente do credo naquela Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos no Largo do Paissandu em um momento onde ela se sentia completamente desamparada e afastada religiosamente após a morte materna.

O depoimento detalhou que o apoio recebido naquele espaço permitiu não apenas reconstruir laços familiares de fé — fazendo catecismos ou primeiras comunhões —, mas também ensinou sobre respeito mútuo entre diferentes crenças.

Nesse mesmo espírito, foi realizada na Parada uma tradicional lavagem das escadarias da igreja. Essa prática ancestral é mais do que ritual; trata – se de ressignificar publicamente espaços através uso simbólico dessas águas com ervas, flores e cânticos pelos quais as mulheres negras organizadas nas irmandades religiosas passaram por séculos a transmitir memória e dignidade à comunidade paulistana.

Mãe Su de Nanã sintetizou o sentido político desse dia ao afirmar: “Foi um grito… Nós somos a cara dos matrizes africanas.”

Reconhecimento legal como pilar democrático

A Parada reafirmou não apenas o direito às manifestações culturais ou crenças. Ela reivindica também os direitos territoriais da cidade para que esses povos possam ocupar seu espaço histórico em plena visibilidade, participando ativamente na construção do relato brasileiro.

O reconhecimento desses grupos vai além das fronteiras religiosas e é amparado por marcos legais importantes no Brasil. Os povos de terreiro são reconhecidos pela legislação brasileira — incluindo respaldo internacional feito pelo Decreto nº 12.278/2024 —, pois representam comunidades tradicionais com formas próprias de organização social e conhecimento cultural próprio.

Quando um ataque ocorre a uma comunidade tradicional como essa; quando há o assassinato ou discriminação contra suas mulheres: não está ameaçada apenas sua liberdade religiosa individualmente falando.

Estão em risco conhecimentos ancestrais, modos coletivos de vida comunitária e patrimônios culturais que foram transmitidos ao longo das gerações na resistência histórica do país. A Parada se estabeleceu assim como mais um ponto no debate sobre políticas públicas capazes garantir proteção integral aos povos africanos da matriz…

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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