Ministério Público investiga plantios por PMs em SP
Ministério Público apura denúncias de coação policial e invasão domiciliar durante investigações em SP.
O caso ganhou destaque após um caminhoneiro que denunciou ter sido coagido por policiais militares sob ameaça no trajeto entre o hospital, localizado em Piracicaba, com sua família.. A denúncia inicial levou à abertura de investigações pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), resultando numa operação deflagrada ainda neste ano contra endereços ligados ao 10º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A apuração revelou diversos pontos críticos sobre a conduta dos agentes e os procedimentos operacionais adotados na cidade.
Investigações sobre a atuação policial em Piracicaba apontam para alegações de coação e procedimentos questionáveis durante abordagens na região do interior paulista.
Alegações decoação policial durante abordagens. Um exemplo marcante é o relato feito por um caminhoneiro, que foi parado em Piracicaba com sua esposa e filhos. Após revistarem todos — incluindo veículo —, policiais militares não encontraram nada ilícito no casal ou nas crianças. No entanto, segundo ele, foram exigidos itens como um traficante da região, fuzil e dez quilos de maconha sob ameaça direta; caso contrário, a família seria presa.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Sob essa pressão psicológica dos agentes, Paulo concordou inicialmente com as condições impostas. Posteriormente, contudo, denunciou formalmente ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) o ocorrido por coação ilegal. Ele ainda relatou que os PMs teriam batido “com o bico da pistola” em seu peito durante aquela abordagem violenta na via pública.
Investigando entradas sem mandado judicial. Outro episódio levantado pelo MPSP envolveu Janaina e sua família no dia 1º de dezembro de 20Os policiais entraram na residência onde ela morava com o esposo, Anselmo, alegadamente sem um mandato judicial.
Os agentes prenderam Anselmo sob a suspeita de que ele fosse membro do PCC. Contudo, os registros indicaram inconsistências graves: apesar dos depoimentos militares sobre terem achado revólver raspado em patrulhamento rotineiro, imagens apresentadas pela defesa mostraram PMs entrando na casa da mãe de Janaína antes mesmo dessa abordagem pública.
Aumento alarmante e recomendações para segurança. O documento investigativo também apontou uma preocupação grave com o aumento nos índices criminais locais; especificamente no quesito letalidade policial. Em Piracicaba, a taxa saltou drasticamente — passando de cinco óbitos registrados em 202para doze ocorrências apenas em 20Isso representa um acréscimo significativo, totalizando quase cento e quarenta por cento.
Leia também
Os dados comparativos mostram que enquanto São Paulo manteve sua média entre 1,57 e 1,66 casos por cem mil habitantes (em comparação ao ano anterior), Piracicaba saiu da posição abaixo da média estadual em 2024; já no período seguinte passou a estar acima dela.
Vítimas recentes de violência policial. Entre as vítimas listadas está o caso trágico de Gabriel Junior Oliveira Alves da Silva. O jovem foi assassinado com um disparo feito pelo cabo Júnior Cesar Rodrigues — vinculado diretamente ao 10º BPMI—, enquanto ele tentava proteger sua esposa durante uma abordagem violenta, ocorrida em 1º de abril de 202
Diante do cenário exposto e das diversas inconsistências apontadas nos casos individuais (como a prisão revogada judicialmente no segundo episódio), os promotores defenderam veementemente medidas preventivas sistêmicas. Foi defendido que é crucial implantar câmeras corporais para reduzir litígios sobre versões contraditórias dos fatos.
Resposta da Secretaria de Segurança Pública. Em resposta às apurações detalhadas pelo MPSP — relatório obtido pela Agência Pública —, o MinistérioPúblico recomendou, entre outras ações processuais melhorarem as condutas policiais na região por meio do uso obrigatório das câmeras corporais.
A Corregedoria já instaurou um inquérito específico em relação ao caso Paulo e a própria Secretária de Segurança Pública (SSP), sob comando do delegado Osvaldo Nico Gonçalves, informou que os procedimentos investigativos estão seguindo trâmite legal.
A pasta afirmou ainda realizar diligências necessárias para esclarecer fatos como cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Segundo nota oficial da SSP, “ao término das apurações”, serão adotadas todas as medidas administrativas ou disciplina