Lideranças da proteína animal destacam integração para fortalecer competitividade do Brasil

Lideranças do setor destacam que a integração das cadeias produtivas é essencial para o Brasil se destacar no mercado internacional de proteínas animais.

06/08/2026 01:00

4 min

ALF RIBEIRO
ALF RIBEIRO

Durante o SIAVS, realizado em São Paulo, representantes de diversos setores da cadeia produtiva de proteínas animais, como aves, suínos, bovinos, leite e pescados, enfatizaram a importância da integração entre essas cadeias como uma estratégia crucial para aumentar a competitividade do Brasil no mercado internacional.

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No painel “Cenário da Proteína Animal na Visão Setorial”, líderes do setor apontaram que o país possui vantagens significativas, como recursos naturais abundantes, tecnologia avançada e um sistema reconhecido de sanidade animal. Contudo, ressaltaram que é necessário melhorar a comunicação sobre essas qualidades para conquistar novos mercados.

O presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) defendeu que o Brasil deve reforçar sua imagem internacional em termos de produção sustentável. Ele destacou que mais de 1,1 milhão de quilômetros quadrados de áreas preservadas estão localizados dentro de propriedades privadas por meio da reserva legal.

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Além disso, mencionou que as pastagens existentes podem ser utilizadas para aumentar a produtividade sem a necessidade de desmatamento. “Temos clima favorável, produtores capacitados e vocação para alimentar o mundo. Precisamos mostrar essa realidade, destacando uma proteína produzida com biosseguridade, sustentabilidade e responsabilidade ambiental”, afirmou.

Organização das cadeias produtivas

Laudemir Müller, gerente de Agronegócios da Apex Brasil, ressaltou a importância da organização das cadeias produtivas brasileiras no cenário internacional. Para ele, em um ambiente global repleto de incertezas e disputas comerciais, a colaboração entre entidades do setor privado e o governo foi fundamental para conquistar a confiança dos compradores estrangeiros. “O Brasil consegue atender o mercado interno, ampliar o consumo doméstico e ainda alcançar recordes de exportação.

Isso é fruto da organização e da tecnologia aplicadas ao longo de toda a cadeia produtiva”, disse.

No setor pesqueiro, Eduardo Lobo, presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), destacou as oportunidades para crescimento tanto no mercado nacional quanto internacional. Atualmente, as exportações de pescados giram em torno de US 400 milhões; contudo, Lobo acredita que esse valor pode ser muito maior com novas parcerias comerciais. “O setor está em expansão e temos confiança de que podemos avançar.

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O otimismo e a resiliência são grandes”, afirmou.

Desafios na cadeia leiteira

A cadeia leiteira também se posicionou em favor de uma maior integração com os demais segmentos do setor proteico. Guilherme Portela, presidente do Sindilat, comentou sobre os desafios enfrentados pelo Brasil para aumentar sua participação no comércio internacional.

Apesar dos avanços recentes em produtividade e acesso a mercados externos, ele observou que o país ainda importa mais produtos lácteos do que exporta. A abertura de novos mercados e uma valorização do produtor são algumas das estratégias sugeridas para mudar esse panorama.

“Faltava uma liderança direcional para indicar como podemos atingir níveis superiores de competitividade e acessar novos mercados internacionais”, completou Portela.

Pecuária como pilar econômico

Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), fez questão de enfatizar a relevância econômica da pecuária brasileira. O setor movimentou cerca de US 20 bilhões em exportações no último ano e cerca de US 80 bilhões em vendas totais.

Ele reconheceu os desafios impostos pelo cenário geopolítico atual e pelas barreiras comerciais mas garantiu que há capacidade suficiente para abastecer tanto o mercado interno quanto atender à demanda externa.

“As exportações não competem com o abastecimento doméstico; elas são um dos pilares que sustentam toda a cadeia produtiva”, declarou Perosa.

Tendências futuras para as proteínas

No painel “Futuro das Proteínas”, executivos do setor discutiram as transformações no consumo e as novas exigências do comércio internacional. João Campos (Seara), Miguel Gularte (MBRF) e Neivor Canton (Aurora Coop) abordaram como os investimentos em eficiência operacional, inovação e segurança sanitária serão essenciais para manter a liderança brasileira no mercado global.

A manutenção dessa posição depende também da adaptação ao novo perfil do consumidor globalizado.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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