Investidores internacionais serão essenciais para ampliar a produção de biocombustíveis no Brasil

Atração de investimentos internacionais será crucial para o Brasil se tornar um líder na produção de biocombustíveis e atender à demanda global crescente.

05/08/2026 18:10

3 min

Evento Amcham Brasil na COP
Evento Amcham Brasil na COP

O Brasil terá que compartilhar com investidores internacionais o custo da ampliação dos biocombustíveis, considerados essenciais para a descarbonização. A análise vem de especialistas que participaram da COP 30 e acreditam que o país pode se tornar um dos principais fornecedores de combustíveis sustentáveis no mundo.

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No entanto, atender à demanda futura exigirá financiamento estrangeiro para novos projetos.

O foco agora não é mais em tecnologia, mas sim na necessidade de aumentar a produção em escala industrial. O ambiente regulatório deve ser estável e atrativo para investimentos que tornem possível atender à crescente demanda global por combustíveis sustentáveis.

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Representantes da indústria, governo e mercado financeiro concordam que os biocombustíveis terão um papel central na descarbonização do transporte mundial, especialmente em setores onde a eletrificação avança lentamente, como na aviação e no transporte marítimo.

Compromissos e Metas para Biocombustíveis

O Brasil, que já consolidou uma das matrizes energéticas mais renováveis do planeta e desenvolvido tecnologias para diferentes rotas de combustíveis de baixo carbono, inicia uma nova fase na transição energética. Durante a Conferência do Clima em Belém, foi reafirmada a meta de quadruplicar a produção de biocombustíveis até 2035, conforme projeções da IEA (Agência Internacional de Energia.

No evento da Amcham em São Paulo, Pedro Brancante, coordenador do Mapa do Caminho Internacional pelo fim de combustíveis fósseis da Presidência da COP 30, destacou que esse crescimento não depende necessariamente de novas políticas públicas, mas sim da execução dos compromissos já assumidos por governos anteriores.

José Fernandes, presidente da Honeywell Brasil, apontou que já existem soluções consolidadas para produzir combustíveis renováveis a partir de óleos vegetais e resíduos. Ele ressaltou que o diferencial competitivo do Brasil está na combinação entre a disponibilidade de matéria – prima e a experiência industrial com uma matriz energética limpa.

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Atraindo Investimentos e Oportunidades

No entanto, para transformar esse potencial em investimentos reais, é fundamental melhorar a segurança regulatória e garantir previsibilidade a longo prazo. Paula Kovarsky, sócia da Legend, enfatizou que a expansão dos biocombustíveis oferece ao Brasil uma oportunidade de diminuir sua dependência das commodities agrícolas e agregar valor à produção nacional.

Com um mercado consumidor majoritariamente internacional, o país poderá exportar não apenas matérias – primas, mas também combustíveis sustentáveis e tecnologias relacionadas à transição energética. André Lavor, CEO da Binatural, destacou que o setor já tem bases sólidas para crescer através de alta produtividade e interesse em destinar soja para biodiesel.

Lavor também mencionou que aumentar a produção de biodiesel gera uma grande quantidade de farelo — insumo essencial na alimentação animal — contribuindo assim tanto para a oferta de proteína vegetal quanto para reduzir a dependência brasileira das importações de óleo diesel.

Desafios Financeiros e Oportunidades Internacionais

Marlon Arraes, secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME (Ministério de Minas e Energia), afirmou que um dos principais desafios é a falta de financiamento direcionado aos combustíveis sustentáveis. Apesar dos investimentos globais em energia limpa ultrapassarem US 2 trilhões ao ano, apenas uma pequena fração é destinada aos biocombustíveis.

Arraes apontou uma lacuna no financiamento das “moléculas limpas”, especialmente quando se considera que a demanda mundial continuará exigindo combustíveis líquidos mesmo com o avanço da eletrificação. Ele defendeu a criação de instrumentos financeiros que compartilhem os custos da descarbonização entre setores econômicos diversos.

A participação do Brasil na COP 30 abriu portas para aumentar o papel dos biocombustíveis nas negociações climáticas internacionais. Os especialistas afirmam que o país possui vantagens competitivas difíceis de serem replicadas por outros produtores: biomassa abundante, tecnologia estabelecida e capacidade industrial.

O desafio agora é transformar esse potencial em investimentos robustos que coloquem o Brasil como um fornecedor global destacado em combustíveis renováveis.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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