Brasileiros se voluntariam para lutar na Ucrânia e recebem apoio psicológico de especialista

O apoio psicológico de Cláudia Serathiuk tem sido fundamental para ajudar brasileiros voluntários e suas famílias a lidarem com os traumas da guerra na Ucrânia.

05/08/2026 17:50

2 min

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Após mais de quatro anos de conflitos, as Forças Armadas da Ucrânia estão recrutando soldados internacionais para reforçar suas fileiras. Entre esses voluntários, destacam – se brasileiros que se uniram à luta na Ucrânia. A psicóloga Cláudia Serathiuk, do Núcleo de Estudos da Ucrânia (NEU) da USP, oferece apoio psicológico a cerca de 15 dos aproximadamente 2 mil soldados brasileiros envolvidos no conflito, além de atender a 10 famílias que têm vínculos com os combatentes.

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Cláudia, que faz parte da comunidade ucraniana em Curitiba, começou a prestar atendimentos a refugiados ucranianos logo no início da guerra, em 2022. No entanto, a partir do ano passado, ela notou um aumento significativo na demanda por assistência psicológica voltada para soldados e familiares enlutados.

Para atender a essa necessidade crescente, Cláudia e uma equipe de psicólogos voluntários vêm realizando atendimentos específicos para esses grupos.

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Impacto do atendimento psicológico

A psicóloga observa que, apesar do sofrimento intenso enfrentado pelos soldados, muitos deles apresentam uma melhora visível em seu estado emocional após as sessões de terapia. Essa ajuda pontual tem se mostrado crucial para aqueles que estão lidando com o estresse e as traumas provocados pela guerra.

A condição das famílias enlutadas também tem melhorado através desse apoio: “A gente tem esse trabalho muito específico com as famílias enlutadas. É um trabalho longo e é um trabalho que tem dado resultados”, afirma Cláudia.

Ela destaca que o acompanhamento psicológico permite que essas pessoas vivenciem seu luto e encontrem formas de lidar com as perdas sofridas. “Temos conseguido tratar essas pessoas, fazer esse atendimento e dar esse apoio”, completa Cláudia.

Desafios emocionais diante da guerra

A situação na Ucrânia causa um impacto profundo também na própria psicóloga. Os relatos dos soldados e familiares lhe revelam o horror do conflito: “A guerra é triste, é devastadora, degrada a condição humana”, diz ela. Segundo Cláudia, o sofrimento vai além das perdas físicas e materiais; ele atinge profundamente a dignidade das pessoas envolvidas.

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“A guerra traz essa destruição não só física e material, mas também moral”, ressalta. Com uma vasta experiência em contextos difíceis — incluindo trabalhos em presídios — Cláudia considera essa situação como uma das mais desafiadoras com as quais já lidou em sua carreira: “Acho que é a pior situação com a qual eu já trabalhei”, conclui.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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