Justiça de SP mantém condenação de R 50 mil ao Estado por diagnóstico errado de câncer

A decisão da Justiça de SP destaca a importância de diagnósticos precisos e a responsabilidade do Estado em casos de erro médico.

21/07/2026 23:50

3 min

No entanto, após nove meses, novos exames concluíram que ele nunca teve câncer
No entanto, após nove meses, novos exames concluíram que ele nun...

A Justiça de São Paulo confirmou a decisão da 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital, que condenou o Estado a pagar R 50 mil em indenização por danos morais a um homem que recebeu um diagnóstico incorreto de câncer em estado terminal. O valor será destinado aos herdeiros do autor, que faleceu durante o processo judicial.

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O caso envolve um idoso de 87 anos, que procurou atendimento médico em um hospital apresentando sintomas como pele amarelada, urina escura e significativa perda de peso. Mesmo sem a realização de exames mais aprofundados, os médicos diagnosticaram o paciente com neoplasia maligna no pâncreas e o encaminharam para cuidados paliativos.

Diagnóstico e Consequências

Após nove meses sob essa condição, novos exames revelaram que ele nunca teve câncer. O diagnóstico equivocado resultou em uma série de consequências graves para a saúde mental e física do paciente. O relator do caso, desembargador Fernão Borba Franco, destacou que não foram utilizados todos os meios investigativos necessários antes de chegar à conclusão errada sobre a condição do homem.

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No decorrer desse período, os registros médicos indicaram que ele apresentou crises de ansiedade e medo da morte. Além disso, foi necessário o uso de medicação psiquiátrica controlada e ele enfrentou comportamentos de intenso desassossego. Fisicamente, sua saúde se deteriorou ao ponto de precisar de andador e cadeira de rodas, o que agravou ainda mais seu estado emocional.

A reavaliação do diagnóstico ocorreu somente após uma visita domiciliar da equipe de Cuidados Paliativos, que observou a necessidade de realizar novos exames de imagem devido à estabilidade clínica do paciente. Essa nova análise levou à descoberta do erro no diagnóstico anterior.

A Valoração do Sofrimento

O desembargador enfatizou a gravidade da situação enfrentada pelo idoso, ressaltando que “o sofrimento imposto a um idoso pela crença sustentada por meses na iminência da própria morte é extremamente sério”. Para ele, o valor inicial proposto para a indenização, R 10 mil, não seria suficiente para contemplar o sofrimento vivido pelo paciente.

O caso levanta questões importantes sobre as práticas médicas e a responsabilidade do Estado na prestação de serviços de saúde. A confiança depositada pelos pacientes nos diagnósticos médicos é fundamental para o tratamento adequado das doenças.

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Quando essa confiança é quebrada por erros como no caso deste idoso, as consequências podem ser devastadoras tanto fisicamente quanto emocionalmente.

A decisão da Justiça não apenas busca reparar os danos causados ao paciente e seus familiares mas também serve como um alerta para a importância da precisão nos diagnósticos médicos e do cuidado necessário na condução dos atendimentos em saúde pública.

As instituições devem garantir que casos como esse não voltem a ocorrer no futuro.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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