Incerteza sobre chances de Flávio Bolsonaro afasta partidos de indicar vice, aponta especialista

A falta de apoio e a incerteza sobre Flávio Bolsonaro dificultam alianças partidárias, refletindo um cenário eleitoral complexo e desafiador.

SP – ELEIÇÕES 2026/CONVENÇÃO/REPUBLICANOS/TARCÍSIO – POLÍTICA – O candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), participa da convenção do Republicanos que oficializou a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, à reeleição, realizada no Ginásio do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista, neste sábado, 1º de agosto de 2026. 01/08/2026 – Foto: FABIANO MARTINS/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO

A incerteza sobre as chances de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial está afastando partidos da possibilidade de indicar um vice para sua candidatura. Essa análise é de Rafael Favetti, sócio da Fatto Inteligência Política, que conversou com o WW nesta segunda – feira (3.

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Ele observou que o comportamento das legendas é diretamente afetado pela performance eleitoral do filho do ex – presidente.

“Se o Flávio estivesse pontuando 80%, teria partido brigando, querendo entrar e não se desviar”, afirmou Favetti, ressaltando que a falta de números expressivos torna o cenário menos atrativo para possíveis aliados. Ele também mencionou como a estrutura do sistema partidário brasileiro complica ainda mais essa situação, pois os partidos são obrigatoriamente nacionais.

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Isso significa que uma aliança com Flávio Bolsonaro pode gerar conflitos internos em legendas que têm tanto parlamentares alinhados ao governo Lula quanto ao campo bolsonarista.

Dilemas dos partidos

Favetti exemplificou a situação com o Republicanos, de Silvio Costa Filho, em Pernambuco, que é próximo ao governo Lula. “Como é que o Republicanos vai aceitar uma aliança com Flávio Bolsonaro colocando um vice?”, indagou. Outros partidos, como o PP e o União Brasil, também enfrentam dilemas semelhantes. “O PP – União tem gente tanto lulista quanto bolsonarista.

Como você vai chegar para um partido desse e dizer: ‘Vamos escolher entre Lula e Bolsonaro?’”, questionou o especialista.

Além disso, Favetti expressou ceticismo sobre a decisão do PSD de lançar candidato próprio para evitar ter que optar entre Flávio Bolsonaro e Lula. Para ele, essa escolha reflete uma estratégia de proteção em um cenário eleitoral complexo.

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A prioridade das eleições proporcionais

O especialista destacou ainda que os partidos com maior peso parlamentar costumam priorizar as eleições proporcionais no primeiro turno, focando nas disputas para deputado federal em vez de formar chapas majoritárias. Essa estratégia pode impactar diretamente na viabilidade da candidatura de Flávio.

Outro ponto levantado por Favetti foi o histórico político familiar de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, o candidato carrega um receio herdado de seu pai em relação à escolha do vice. “Flávio é meio coadjuvante da sua própria campanha e ele carrega aquele medo do pai, que é o vice ser muito articulado”, disse Favetti, lembrando que a história brasileira conta com dois impeachments recentes na República.

A análise sugere que a trajetória eleitoral de Flávio Bolsonaro poderá ser marcada por desafios significativos se as condições atuais persistirem.