Infantino busca apoio de nações menores para garantir candidatura à presidência da Fifa em 2027

As ambições de Gianni Infantino em estender seu mandato na presidência da Fifa enfrentam um desafio significativo. Sua sobrevivência política pode depender menos do apoio das potências tradicionais do futebol e mais da colaboração com nações menores e emergentes, que são altamente dependentes dos recursos financeiros da entidade máxima do esporte.
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O dirigente se encontra em meio à sua maior crise em quase dez anos de gestão, especialmente após a proposta frustrada de incluir investidores de private equity na Copa do Mundo.
Infantino confirmou sua intenção de concorrer a um quarto mandato durante o Congresso da Fifa, que está agendado para abril de 2027. No entanto, a pressão sobre ele pode aumentar antes dessa eleição crucial. Nesta segunda – feira (3), a Uefa informou que enviou uma carta ao suíço de 56 anos, comunicando que avalia tomar medidas legais em relação à proposta controversa.
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Possibilidade de destituição
Os opositores de Infantino têm a possibilidade de tentar destituí – lo através de uma votação em um Congresso Extraordinário, caso 20% das 211 associações filiadas à Fifa formalizem um pedido por escrito. Se esse pedido for apresentado, o Congresso Extraordinário deve ser realizado em até três meses, o que abriria espaço para novos candidatos ao cargo.
A Uefa, representando suas 55 federações nacionais, também poderia convocar um Congresso Extraordinário se houver unanimidade entre seus membros.
No entanto, reunir a maioria necessária para remover Infantino não será uma tarefa simples. Embora existam grandes disparidades entre os países em termos de riqueza e desenvolvimento do futebol, todos têm direito a um voto. Em vez de buscar uma reconciliação com as potências tradicionais como França, Espanha e Inglaterra, Infantino pode encontrar refúgio no apoio de nações como Butão e Vanuatu — países que nunca participaram da Copa do Mundo e dependem fortemente dos recursos da Fifa para desenvolver seus programas esportivos.
Apoio às nações emergentes
A Fifa tem disponibilizado até 3 milhões de dólares (cerca de R 15 milhões) para projetos voltados ao desenvolvimento do futebol entre suas associações filiadas durante o ciclo da Copa do Mundo de 2023 a 2026. Esse valor é R 1 milhão (aproximadamente R 5 milhões) superior ao montante oferecido no ciclo anterior.
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Embora essa quantia seja modesta para países ricos com ligas profissionais consolidadas, ela é crucial para as nações com menos recursos financeiros.
Vanuatu é um exemplo claro dessa dinâmica. O país ocupa a 160ª posição no ranking mundial e possui apenas cerca de 340 mil habitantes. Contudo, o presidente da associação local, Lambert Maltock, é vice – presidente do Conselho da Fifa. Em 2022, Vanuatu recebeu uma verba de desenvolvimento de 4,15 milhões de dólares (R 21 milhões) para construir um estádio com capacidade para 6.500 pessoas na capital Port Vila.
Para Brian Kaltak, primeiro jogador profissional originário de Vanuatu, o apoio recebido sob a gestão de Infantino representa um avanço significativo para o país e outras nações em desenvolvimento. “Ele deu ao nosso presidente a oportunidade de fazer parte da Fifa e tem trabalhado nos projetos de desenvolvimento para impulsionar o futebol — não apenas em Vanuatu, mas em todo o terceiro mundo”, declarou Kaltak à Reuters.
Críticas ao modelo financeiro
Enquanto muitos países se beneficiam desse modelo financeiro da Fifa que promove investimentos em infraestrutura esportiva e programas locais, críticos apontam que isso fortalece um sistema onde a entidade troca influência política por poder financeiro.
Essa dinâmica torna mais difícil formar uma coalizão capaz de destituir um presidente no cargo.
A possível campanha contra Gianni Infantino pode se transformar em uma batalha numérica que ultrapassa as elites tradicionais do futebol europeu, refletindo a complexidade das relações dentro da entidade máxima do esporte.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



