Hidrelétricas do Sul do Brasil se preparam para aumento das chuvas devido a El Niño severo

As usinas hidrelétricas do Sul do Brasil se preparam para um aumento das chuvas, em função da expectativa de um El Niño severo nos próximos meses. As subsidiárias brasileiras da China Three Gorges (CTG) e da Engie, renomadas operadoras do setor, afirmaram à Reuters que estão revisando suas estratégias para lidar com os grandes volumes de água que poderão ser vertidos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Esses preparativos incluem a realização de testes nos vertedouros, garantindo a operação segura das usinas, além de ações voltadas para as comunidades ribeirinhas que podem ser impactadas pela liberação dos reservatórios. O Brasil apresenta uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com cerca de dois terços de sua eletricidade gerada por hidrelétricas.
Ameaças e vulnerabilidades
Apesar de oferecerem flexibilidade no atendimento ao consumo energético nos horários de pico, as hidrelétricas são suscetíveis a alterações nos padrões de chuva ligadas ao El Niño e às mudanças climáticas. Cientistas acreditam que o fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, deverá provocar chuvas intensas no sul do Brasil e aumentar o risco de seca na região amazônica.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O último El Niño, ocorrido em 2024, teve impactos severos nas usinas localizadas na Amazônia e forçou a interrupção das operações em várias hidrelétricas no sul devido a enchentes. Essa situação levou o Brasil a recorrer a fontes de energia mais poluentes.
Diante disso, as autoridades e geradoras se encontram em estado de alerta quanto às possíveis consequências para a segurança energética no país.
Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que as chuvas aumentaram nas bacias hidrelétricas do sul em julho, alcançando 256% da média histórica. Os reservatórios atingiram 88% da capacidade, superando os níveis críticos de 30% registrados em abril.
Embora essas chuvas não sejam diretamente causadas pelo El Niño, o fenômeno deve começar a afetar a região nas próximas semanas.
Leia também
Preparativos das empresas
Gilvan Sampaio, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), destacou que a gravidade de uma possível seca na região Norte será mais clara até o final deste ano, dependendo também das temperaturas do Oceano Atlântico. A CTG iniciou medidas e protocolos de gestão de risco já em junho, antecipando – se ao cronograma habitual que começaria em setembro.
Marcio Peres, diretor da CTG no Brasil, informou que as ações incluem testes nos vertedouros para garantir sua plena operação e aquisição de barreiras para prevenir alagamentos nas casas de força das usinas. Além disso, protocolos de segurança e emergência estão sendo revisados.
A partir de setembro, a empresa trabalhará com aproximadamente 1.100 moradores dos municípios localizados abaixo de suas 14 hidrelétricas para desenvolver ações relacionadas à segurança e aos protocolos emergenciais. Por outro lado, a Engie Brasil declarou ter planos robustos para lidar com os efeitos do El Niño.
Guilherme Ferrari, diretor de Energias Renováveis e Armazenamento da Engie, afirmou que o diferencial da companhia reside no reforço do monitoramento meteorológico e na intensificação das medidas preventivas junto aos seus ativos e comunidades vizinhas.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



