Brasil e Guiana registram aumento de 20% nas importações de petróleo pela Europa, afirma Argus

O aumento nas importações de petróleo pela Europa reflete a busca por alternativas mais econômicas e a diversificação das fontes de suprimento.

31/07/2026 05:40

3 min

Bomba de petróleo
Bomba de petróleo

As importações de petróleo da Europa provenientes do Brasil e da Guiana cresceram cerca de 20% no acumulado de 2026 até o dia 28 de julho. Esse aumento se dá à preferência das refinarias europeias por barris latino – americanos mais baratos, que estão sendo escolhidos em detrimento das cargas da África Ocidental.

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A afirmação é de Lina Bulyk, responsável pela precificação de petróleos da consultoria Argus, com sede em Londres.

Conforme dados da Argus, as importações europeias de petróleo dos dois países somaram uma média de aproximadamente 1,035 milhão de barris por dia (bpd) neste ano até o final de julho. No mesmo período do ano anterior, esse número era de 865 mil bpd.

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Desses, o Brasil exportou 478 mil bpd, apresentando um crescimento de 8,6%, enquanto a Guiana registrou um avanço ainda maior, com 557 mil bpd — um aumento de 31%.

Atração do petróleo brasileiro

Bulyk destaca que o petróleo brasileiro se tornou cada vez mais atrativo para as refinarias na Europa. Ele oferece uma alternativa mais econômica ao produto proveniente da África Ocidental, especialmente em um momento em que os compradores estão buscando diversificar suas fontes de suprimento e proteger suas margens de refino. “A commodity da América Latina é consideravelmente mais barata do que a da África Ocidental”, explica a especialista.

Ela acrescenta que essa diferença nos preços está relacionada às características qualitativas dos diversos tipos de petróleo. Os produtos da África Ocidental geralmente apresentam maior rendimento em derivados valiosos e menores teores de contaminantes. “Se uma refinaria consegue processar petróleo com as características da América Latina — e a maioria delas consegue — pode ser mais lucrativo utilizar esse tipo de matéria – prima”, completa Bulyk.

Esse avanço ocorre em um cenário marcado por forte volatilidade nos preços do petróleo, que atingiram máximas próximas aos US120 por barril desde meados de 2022. Bulyk observa ainda que, nos últimos 12 meses, o petróleo do campo de Búzios teve um custo médio cerca de US 5,50 por barril inferior ao do petróleo nigeriano Forcados na entrega no noroeste europeu.

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Impacto da demanda chinesa e mudanças no mercado

A procura reduzida pela China também tem influenciado a maior disponibilidade dos barris destinados à Europa. De acordo com Bulyk, as margens de refino na Ásia perderam atratividade comparadas às europeias. “As refinarias chinesas diminuíram suas compras de petróleo brasileiro para entrega em agosto e setembro em mais de um terço em relação aos meses anteriores”, relata a especialista.

Além disso, a Petrobras informou que a participação da China nas suas exportações caiu para 35% no segundo trimestre deste ano, comparado a 62% no primeiro trimestre. Essa queda é atribuída às medidas adotadas pelo país asiático para reduzir as importações diante do cenário atual dos preços internacionais.

No entanto, a fatia das exportações para a Europa cresceu significativamente: passou para 18% no segundo trimestre, ante apenas 8% no trimestre anterior. Já as exportações para a Índia aumentaram para 22%, comparado a 15%. Para Bulyk, espera – se que a presença brasileira no mercado europeu aumente nos próximos anos, impulsionada pelo crescimento previsto na produção nacional.

Perspectivas futuras

Bulyk acredita que o Brasil já se consolidou como um fornecedor regular de petróleo para a Europa e sua posição deve se fortalecer ainda mais. “Diversas refinarias estão buscando aumentar suas compras tanto do Brasil quanto da Guiana”, afirma ela.

Com essa expansão na oferta brasileira, há expectativa também sobre uma possível pressão baixista nos preços dos barris do país, tornando – os ainda mais competitivos no mercado europeu.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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