Gerdau negocia com compradores no Brasil e exterior para novo projeto de mineração em Minas Gerais

A Gerdau está prestes a finalizar um projeto de expansão de sua capacidade de mineração em Miguel Burnier, Minas Gerais, ainda neste trimestre. A companhia já negocia com potenciais compradores, tanto no Brasil quanto no exterior, interessados no minério de ferro que será produzido em excesso pela nova instalação.
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O plano inicial era que a ampliação da capacidade, que passará de 1,5 milhão para 5,5 milhões de toneladas, entrasse em operação no início deste ano; agora, a expectativa é que a produção completa comece apenas em 2027. Essa informação foi confirmada pelo vice – presidente financeiro da empresa, Rafael Japur, durante uma coletiva após a divulgação dos resultados do segundo trimestre.
“Estamos conversando com parceiros no Brasil e fora do país sobre possíveis negócios”, afirmou Japur. No entanto, ele ressaltou que a Gerdau espera estabilizar a produção da nova unidade antes de adotar uma postura mais ativa na busca por compradores.
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Após a expansão, o custo do minério transportado para a usina siderúrgica em Ouro Branco (MG) deve ser de US 30 por tonelada e terá um teor de ferro de 65,5%. Isso possibilitará à empresa reduzir o consumo de combustível, uma vez que atualmente utiliza minério com teor aproximado de 62,5%.
Resultados financeiros e operações
A melhoria nos resultados da Gerdau no Brasil se tornou um foco importante para o grupo, que atualmente obtém mais de 75% de sua receita das operações na América do Norte. De acordo com Japur, a utilização da capacidade na laminação no Brasil está em 64%, enquanto a produção de aço se aproxima dos 80%.
No segundo trimestre deste ano, a margem operacional medida pelo Ebitda foi de 10,5% no Brasil — um avanço em relação aos 9,2% do primeiro trimestre deste ano, mas ainda abaixo dos 12% registrados no mesmo período do ano passado.
Na América do Norte, por outro lado, as margens alcançaram 25,7%, um crescimento significativo desde os 17,9% do segundo trimestre do ano anterior. “Uma margem entre 9% e 10% está muito longe do mínimo necessário para continuarmos crescendo”, avaliou o executivo.
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Ele mencionou que a margem acumulada da Gerdau no primeiro semestre foi de 9,9%, inferior aos 13,3% registrados na primeira metade do ano passado. “Há espaço para melhorias graduais; entretanto, isso não ocorrerá sem sacrifícios”, alertou Japur.
Perspectivas e movimentação das ações
No mercado financeiro, as ações da Gerdau apresentavam queda próxima a 1% por volta das 11h 38 desta terça – feira. Nesse mesmo momento, o Ibovespa registrava alta de 0,6%. Esse movimento ocorre apesar de a empresa ter reportado um aumento de 70% em seu lucro líquido no segundo trimestre em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A queda nas ações foi observada mesmo após a aprovação pela companhia de dividendos totalizando R451 milhões e medidas como recompras que devem representar um retorno aos acionistas estimado em 40,3% neste trimestre.
Questionado sobre o desempenho das ações da empresa, Japur sugeriu que o mercado pode estar aguardando atualizações sobre os avanços nas operações norte – americanas. Ele lembrou que as expectativas são pela manutenção das margens no segundo semestre deste ano. “Os aumentos nos preços do aço ocorreram no final de julho e início de agosto; precisamos ver se isso realmente impactará nossos resultados no terceiro trimestre”, ponderou o vice – presidente financeiro.
Japur também destacou que neste trimestre a Gerdau concluirá um investimento de R 1,2 bilhão na expansão da capacidade da usina localizada em Midlothian, Texas. Esta instalação é uma das mais importantes para a empresa nos Estados Unidos. “Alguns equipamentos ficarão parados durante esse processo e isso pode afetar temporariamente nossa rentabilidade”, finalizou.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



