Imposto de 12% sobre exportação de petróleo gera conflito entre governo e petroleiras

A cobrança de uma alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo tem gerado um embate entre o governo e o setor produtivo de óleo e gás. Enquanto o Executivo defende a medida como uma forma de garantir condições adequadas para o refino no Brasil e proteger o mercado interno contra um possível desabastecimento de combustíveis, as empresas da área se posicionam contra, alegando fragilidade jurídica.
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O anúncio foi feito após uma reunião extraordinária do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e a nova taxa terá caráter temporário até o próximo domingo (9), quando será reavaliada.
O governo justifica a decisão citando a deterioração do ambiente geopolítico no Oriente Médio, especialmente os recentes episódios de tensão no Estreito de Ormuz. No entanto, representantes das petroleiras consideram que a taxação possui viés arrecadatório e carece de respaldo legal.
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Chicão Bulhões, presidente do Instituto Barla (Instituto Brasileiro de Ambiente Regulatório e Liberdade), criticou a medida, afirmando que ela afeta negativamente um setor que necessita de investimentos de longo prazo para projetos que podem demorar entre 5 a 10 anos para se tornarem operacionais.
Críticas à implementação da alíquota
Bulhões destacou que criar um imposto“da noite para o dia” gera problemas relacionados à credibilidade dos projetos futuros. Ele argumentou que as medidas provisórias deveriam ser reservadas para situações emergenciais e não utilizadas como ferramenta fiscal.
Em março deste ano, o governo já havia editado a MP 1.340, estabelecendo uma alíquota de 12% sobre a exportação do petróleo bruto e 50% sobre o óleo diesel, com o intuito de garantir o abastecimento interno durante oscilações nos preços internacionais.
Em sua análise, Bulhões afirmou que a justificativa do governo para manter mais petróleo no Brasil e proteger o mercado interno não se sustenta, pois o país não possui capacidade suficiente de refino para processar toda a produção nacional. “Sem refinarias, não adianta.
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Todo esse petróleo precisa ir para algum lugar”, disse ele, ressaltando que a tributação representa apenas uma tentativa de arrecadação sem base prática.
Reações do setor e desafios legais
Flávio Augusto Dumont Prado, advogado e presidente da Comissão de Direito Tributário da OAB Paraná, também criticou a MP. Segundo ele, embora o governo descreva essa cobrança como uma medida regulatória, na prática destina – se às “necessidades fiscais emergenciais da União”, evidenciando seu caráter arrecadatório.
Ele observou ainda que países como Noruega, Arábia Saudita e Estados Unidos costumam tributar atividades petrolíferas por meio de royalties ou impostos sobre lucros, ao invés de impor um imposto específico sobre exportações.
A decisão do governo provocou forte reação no mercado petroleiro. As empresas repudiaram a nova medida e buscam judicializá – la por considerá – la inconstitucional. Especialistas divergem quanto à legalidade da taxação; no entanto, todos reconhecem sua controvérsia.
A MP possui validade inicial de 60 dias, podendo ser prorrogada por mais 60 dias caso não seja votada pelo Congresso dentro desse prazo.
Com essa prorrogação em debate, entidades representativas das petroleiras, como IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) e ABPIP (Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás), manifestaram suas preocupações com os impactos negativos sobre projetos produtivos e decisões empresariais em decorrência da manutenção do imposto.
No último dia 6, após a reunião extraordinária do Gecex que decidiu pela continuidade da cobrança por mais dois meses, o IBP reafirmou sua disposição em dialogar com as autoridades sobre os efeitos dessa medida.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



