Fogo Controlado Previne Incêndios Gigantes em Parque Nacional de São Joaquim

O Parque Nacional de São Joaquim (PNSJ), em Santa Catarina, realizou entre os dias 1º e 11 de julho ações inéditas na sua história ao aplicar o Manejo Integrado do Fogo (MIF.
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A estratégia representa um marco para a unidade de conservação; ela está prevista no plano de manejo desde 2023 e é vista como uma das ferramentas mais importantes disponíveis hoje contra grandes incêndios que têm atingido áreas protegidas nos últimos anos.
Ciência por trás da prevenção: INCT Adapta Veg
O conhecimento técnico veio através dos pesquisadores ligados ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Adaptaveg (INCT Adapta Veg). Valério De Patta Pillar, professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador do instituto, explica o foco dessa pesquisa.
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O grupo investiga a conservação em campos e savanas, avaliando os benefícios dessas práticas diante da crescente crise climática global.
Para isso, ele reúne cerca de 40 cientistas nacionais e internacionais junto com mais de vinte instituições importantes no Brasil — como Ibama, Embrapa e ICMBio —, além de integrar uma rede internacional que abrange Uruguai, Argentina, África do Sul e Alemanha.
Esse programa é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq.
Execução técnica: o manejo planejado
O INCT Adapta Veg surgiu justamente para buscar soluções baseadas na natureza diante da urgência climática; segundo Pillar, “Precisamos lidar com eventos extremos climaticos, que têm acontecido cada vez mais frequentemente”. Ele detalha ainda a vulnerabilidade dos campos cerrados — vegetação natural em grande parte do território brasileiro —, especialmente quando não estão sob uso pastoril.
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Na prática operacional no PNSJ, os participantes incluíram gestores locais, servidores do ICMBio e pesquisadores de programas como PELD – Bisc. Anivaldo Chaves, analista ambiental experiente pelo ICMBio há cerca de 25 anos, liderou as atividades técnicas durante toda operação.
O objetivo foi claro: reduzir o acúmulo de material combustívela biomassa seca responsável por alimentar grandes incêndios florestais.
Diálogo com a comunidade local
Além das ações em campo que seguiram rigorosos protocolos técnicos — incluindo construção de aceiros ao redor dos blocos experimentais —, houve um encontro fundamental entre moradores da região e os gestores do parque. A reunião contou com mais de vinte participantes para ampliar o diálogo sobre como conservar adequadamente esses campos de altitude.
O evento ajudou a esclarecer uma percepção comum, mas equivocada: na vegetação campestre, fogo não é sempre sinônimo apenas de problema ambiental; ele pode fazer parte até mesmo da dinâmica ecológica histórica da paisagem natural. A moradora Alessandra Munareto Mathias considerou este momento crucial porque permitiu que ela sentisse participação no processo junto à gestão do Parque Nacional em Santa Catarina.”
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



