DNA da varíola é encontrado em múmias da época da conquista espanhola no Chile

A chegada dos conquistadores espanhóis ao Novo Mundo, há cerca de cinco séculos, marcou um dos capítulos mais sombrios da história das Américas. Armados com mosquetes, canhões e outros equipamentos bélicos, esses colonizadores não apenas trouxeram armas para dominar os povos indígenas, mas também doenças devastadoras que dizimaram suas populações.
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Recentemente, pesquisadores conseguiram recuperar a primeira evidência molecular direta da varíola, uma das principais doenças que contribuíram para essa tragédia.
A descoberta foi feita a partir da análise de DNA viral antigo encontrado em múmias de duas pessoas que viveram no início do período colonial espanhol em uma comunidade inca localizada no norte do Chile. As amostras revelaram que a varíola foi inadvertidamente transportada do Velho Mundo para o Novo Mundo pelos colonizadores, resultando em uma catástrofe sanitária sem precedentes que exterminou milhões na Mesoamérica e na América do Sul.
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Impacto das Doenças Infectocontagiosas
A varíola é causada por um vírus altamente contagioso e letal. Seus efeitos foram potencializados pela total falta de imunidade nas populações indígenas, que nunca haviam sido expostas a esse patógeno antes da chegada europeia. A análise realizada pelos cientistas revelou que as cepas virais encontradas nas múmias chilenas pertenciam a um grupo evolutivamente situado entre as variantes conhecidas da Europa medieval e aquelas que circularam nos séculos posteriores.
Isso reforça a hipótese de que a varíola se espalhou rapidamente após a conquista espanhola.
A invasão europeia não trouxe apenas armas e riquezas, mas também um verdadeiro genocídio biológico. Além da varíola, outras doenças infecciosas como sarampo e gripe foram introduzidas, causando um colapso demográfico sem precedentes entre os povos nativos.
Estima – se que até 90% da população indígena pode ter sido morta por essas epidemias nos primeiros anos após o contato europeu.
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Essa pesquisa oferece uma nova perspectiva sobre os impactos das interações entre os europeus e as civilizações indígenas. O estudo não apenas revela dados sobre a transmissão de doenças, mas também destaca as consequências sociais e culturais decorrentes desse choque entre mundos distintos.
Repercussões Históricas e Científicas
A descoberta do DNA viral de varíola em múmias incas é um marco significativo para a história da medicina e da epidemiologia. Os pesquisadores enfatizam que entender como essas doenças se disseminaram pode ajudar os estudiosos a traçar paralelos com outras pandemias ao longo da história humana.
Além disso, essa evidência molecular contribui para o conhecimento sobre como os patógenos evoluem e se adaptam em diferentes ambientes.
A importância dessa pesquisa vai além do aspecto histórico; ela ressalta a vulnerabilidade das populações não expostas anteriormente a novas doenças. As lições aprendidas podem ser aplicadas nos dias atuais diante de novos surtos globais e à necessidade urgente de proteger comunidades vulneráveis.
Os pesquisadores continuam investigando outras amostras arqueológicas em busca de mais informações sobre as interações entre os conquistadores espanhóis e as sociedades indígenas. A expectativa é que novas descobertas possam lançar ainda mais luz sobre este período crítico da história das Américas.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



