Daniel Ortega anuncia fim das eleições na Nicarágua para impedir oposição ao governo

Ortega busca consolidar seu poder absoluto ao cancelar eleições, intensificando a repressão e as críticas ao regime autoritário na Nicarágua.

20/07/2026 18:31

3 min

Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega 14 de dezembro de 2024
Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega 14 de dezembro de 2024

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou no último domingo (19) que não haverá mais eleições no país. A decisão, segundo ele, visa impedir que a oposição assuma o poder. “Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e conquistar o poder”, declarou Ortega durante um discurso em comemoração à Revolução Sandinista de 1979, movimento que ajudou a derrubar a ditadura de Anastasio Somoza.

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Ele ainda afirmou: “Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram — nunca mais”. Este foi o primeiro pronunciamento público de Ortega em dois meses.

A última eleição na Nicarágua aconteceu em 2021 e foi marcada por controvérsias. Na ocasião, Ortega prendeu opositores e líderes empresariais, além de criminalizar manifestações contra seu governo. No ano passado, ele consolidou seu controle sobre o país com reformas constitucionais, como a nomeação de sua esposa, Rosario Murillo, como “copresidente” e a ampliação do mandato presidencial para seis anos.

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Juntos, eles dominam praticamente todas as instituições do governo, incluindo as forças armadas e o Judiciário.

Acusações de autoritarismo

O regime de Ortega e Murillo enfrentou severas críticas do Conselho de Direitos Humanos da ONU por transformar a Nicarágua em um Estado autoritário e violar direitos humanos sistematicamente. Desde abril de 2018, o país vive uma grave crise política após uma onda de protestos contra Ortega ser respondida com repressão violenta, resultando em mais de 300 mortes.

Daniel Ortega chegou ao poder após a Revolução Sandinista em 1979. Ele foi eleito pela primeira vez em 1985 com 60% dos votos. Contudo, perdeu as eleições em 1990 e passou anos fora do cargo antes de retornar ao poder em 2007. Desde então, tem se mantido à frente do governo por meio de reformas que eliminam limites à reeleição.

Especialistas observam que a atuação de Ortega se distanciou das origens revolucionárias do Sandinismo. Carolina Silva Pedroso, professora da UNIFESP, afirma que hoje ele é visto como um líder autoritário que minou instituições democráticas para garantir sua permanência no poder.

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Perseguições e repressão religiosa

A perseguição não se limita apenas aos opositores políticos; também atinge a Igreja Católica. Historicamente, esta instituição foi crucial na resistência ao regime Somoza. Atualmente, Ortega busca afastar a igreja tradicional e se alinha com movimentos neopentecostais conservadores.

Nos últimos anos, ele expulsou diversas freiras e revogou o registro de organizações sem fins lucrativos no país.

Em agosto de 2024, cerca de 1.500 organizações foram desativadas sob alegações burocráticas. Muitas delas estavam ligadas à saúde ou aos direitos humanos e incluíam grupos religiosos cristãos. O fechamento dessas entidades foi criticado pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU como uma medida alarmante em um contexto onde as liberdades civis têm sido drasticamente reduzidas.

Desde junho de 2022, mais de 5 mil ONGs e veículos de comunicação perderam seus registros legais na Nicarágua. A repressão sob o governo Ortega se intensificou com prisões de candidatos presidenciais da oposição e jornalistas críticos ao regime.

A era Ortega – Murillo

A atual administração é caracterizada por um regime autoritário onde Daniel Ortega e sua esposa exercem controle absoluto sobre os destinos do país. A falta de uma real oposição política levanta questionamentos sobre o futuro democrático da Nicarágua.

Com uma trajetória marcada pela violência contra dissidentes e pela contenção das liberdades civis, fica claro que a Nicarágua sob Daniel Ortega se distancia cada vez mais dos ideais democráticos defendidos durante os anos iniciais do Sandinismo.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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